*Sejam*Bem-Vindos*

Julho 23 2014

O que exactamente é o Bhagavad-Gita? O Bhagavad-Gita propõe-se a livrar a humanidade da ignorância contida na existência material. Cada um de nós anda às voltas com tantos obstáculos, assim como Arjuna tinha diante de si esta dificuldade de lutar na Batalha de Kurukṣetra. Arjuna rendeu-se ao Senhor Krishna, e em consequência o Bhagavad-Gita foi falado. Não só Arjuna, mas cada um de nós, vive cheio de ansiedades devido à nossa existência material. Nossa própria existência está na atmosfera da não-existência. De fato, não estamos destinados às ameaças da não-existência. Nossa existência é eterna. Mas de um jeito ou de outro fomos postos em asat. Asat refere-se àquilo que não existe.

Dentre tantos seres humanos que estão sofrendo, poucos são os que realmente perguntam sobre sua posição, sobre quem são, por que estão nesta posição ingrata e assim por diante. Se a pessoa não despertar para esta plataforma na qual ela quer saber o porquê de seu sofrimento, se não se der conta de que não quer sofrer, mas sim encontrar uma solução para todo este sofrimento, ela não deve então ser considerada um ser humano perfeito. A raça humana começa quando este tipo de indagação desperta na mente. Toda actividade do ser humano deve ser considerada um fracasso a não ser que ele indague sobre a natureza do Absoluto. Portanto, aqueles que perguntam porque estão sofrendo, de onde vieram e para onde irão após a morte são estudantes qualificados para entender o Bhagavad-Gita. O estudante sincero deve também ter profundo respeito pela Suprema Personalidade de Deus. Arjuna era este tipo de estudante.

O Senhor Krishna advém especificamente para restabelecer o verdadeiro propósito da vida sempre que este propósito é esquecido por nós. Mesmo assim, dentre os muitos e muitos seres humanos que despertam, talvez haja um que realmente procure compreender sua posição, e para ele é falado este Bhagavad-Gita. De fato, todos estamos sendo engolidos pelo tigre da ignorância, mas o Senhor tem muita misericórdia das entidades vivas, especialmente dos seres humanos. Foi por isso que Ele falou o Bhagavad-Gita, fazendo do Seu amigo Arjuna Seu aluno.

Sendo um companheiro do Senhor Krishna, Arjuna estava acima de toda a ignorância, mas no Campo de Batalha de Kurukṣetra, Arjuna foi posto em ignorância só para perguntar ao Senhor Krishna sobre os problemas da vida, para que o Senhor pudesse explicá-los para o benefício das futuras gerações de seres humanos e assim traçar o plano de vida. A humanidade assim poderá agir de acordo com estes princípios e aperfeiçoar a missão da vida humana.

O assunto do Bhagavad-Gita envolve a compreensão de cinco verdades básicas. Em primeiro lugar, explica-se a ciência de Deus e também a posição constitucional das entidades vivas, as jivas. Existe o Ishvara, que significa o controlador, e há as jivas, as entidades vivas que são controladas. Se uma entidade viva diz que não é controlada mas sim, livre, então ela é doida. O ser vivo é controlado em todos os aspectos, pelo menos em sua vida condicionada. O Bhagavad-Gita então, descreve o Ishvara, o controlador supremo, e as jivas, as entidades vivas controladas. Também discute prakrti (a natureza material) e o tempo (a duração da existência de todo o Universo, ou da manifestação da natureza material) e karma (atividades). A manifestação cósmica está cheia de diferentes atividades. Todas as entidades vivas estão ocupadas em diversas atividades. Através do Bhagavad-Gita, devemos aprender o que é Deus, o que são as entidades vivas, o que é prakrti, o que é a manifestação cósmica, como ela é controlada pelo tempo, e quais são as atividades das entidades vivas.

Dentre os cinco tópicos básicos, inseridos no Bhagavad-Gita, fica comprovado que a Divindade Suprema, ou Krishna, ou Brahman, ou o controlador supremo, ou Paramatma _ você pode usar o nome que lhe aprouver _ é de todos o maior. Os seres vivos têm as mesmas qualidades do controlador Supremo.

Por exemplo, o Senhor tem o controle dos assuntos universais da natureza material, como esta explicado nos capítulos do Bhagavad-Gita. A natureza material não é independente. Ela age sob a direcção do Senhor Supremo. Como o Senhor Krishna diz: “Esta natureza material funciona sob Minha direção”. Quando vemos fenômenos maravilhosos acontecendo na natureza cósmica, devemos saber que, por trás desta manifestação cósmica, há um controlador. Nada poderia manifestar-se se não houvesse controle. É infantilidade não levar em conta a presença do controlador. Por exemplo, uma criança pode achar que um automóvel seja realmente maravilhoso, capaz de correr sem ser puxado por um cavalo ou um outro animal, mas um adulto são, sabe sobre a engenharia mecânica do automóvel. Ele sempre sabe que por trás da máquina há um homem, um motorista. De modo semelhante, o Senhor Supremo é o motorista sob cuja direcção tudo funciona. Como veremos nos capítulos ulteriores, o fato é que as jivas, ou entidades vivas, foram aceitas pelo Senhor como Suas partes integrantes. Uma partícula de ouro também é ouro, uma gota dágua do oceano também é salgada, e da mesma maneira, nós, as entidades vivas, sendo partes integrantes do controlador supremo, ishvara, ou Bhagavan, Senhor Krishna, temos em quantidade diminuta todas as qualidades do Senhor Supremo porque somos ishvaras diminutos, ishvaras subordinados. Estamos tentando controlar a natureza, e actualmente estamos tentando controlar o espaço, os planetas, e temos esta tendência de controlar, porque ela existe em Krishna. Porém, embora tenhamos a tendência de dominar a natureza material, devemos saber que não somos o controlador supremo. Isto é explicado no Bhagavad-Gita.

O que é a natureza material? Este ponto também é explicado no Bhagavad-Gita como prakrti inferior, natureza inferior. Menciona-se que a entidade viva é prakrti superior. A prakrti, inferior ou superior, está sempre sob controle. Aprakṛti é feminina, e é controlada pelo Senhor, assim como as actividades da esposa são controladas pelo marido. Aprakrti é sempre subordinada, predominada pelo Senhor, que é o predominador. As entidades vivas e a natureza material são predominadas, e estão controladas pelo Senhor Supremo. Segundo o Bhagavad-Gita, as entidades vivas, embora partes integrantes do Senhor Supremo, devem ser consideradas prakrti. Isto é claramente mencionado no Sétimo Capítulo do Bhagavad-Gita. “Esta natureza material é Minha prakrti inferior, porém, além desta há outra prakrti _ jiva-bhutam, a entidade viva”.

A própria natureza material é constituída por três qualidades: o modo da bondade, o modo da paixão e o modo da ignorância. Acima destes modos, há o tempo eterno, e através da combinação destes modos da natureza e sob o controle e jurisdição do tempo eterno, existem as actividades que são chamadas karma. Essas atividades vêm sendo realizadas desde tempos imemoriais, e sofremos ou gozamos dos frutos de nossas actividades. Por exemplo, suponha que eu seja um homem de negócios e tenha usado minha inteligência trabalhando arduamente para conseguir um grande saldo bancário. Então, sou o desfrutador. Mas digamos então que eu tenha perdido todo o dinheiro nos negócios; então, sou o sofredor. Do mesmo modo, em cada esfera da vida gozamos ou sofremos os resultados de nosso trabalho. Isto se chama karma.

Ishvara (o Senhor Supremo), jiva (a entidade viva), prakrti (a natureza), kala (o tempo eterno) e karma (actividades) são todos explicados no Bhagavad-Gita. Destes cinco, o Senhor, as entidades vivas, a natureza material e o tempo, são eternos. A manifestação de prakrti pode ser temporária, mas não é falsa. Certos filósofos dizem que a manifestação da natureza é falsa, porém, segundo a filosofia do Bhagavad-Gita ou segundo a filosofia dos vaishnavas, não é bem assim. A manifestação do mundo não é aceita como falsa; é aceita como real, embora temporária. É comparada a uma nuvem que passa no céu, ou à vinda da estação das chuvas, a qual nutre os grãos. Logo que termina a estação das chuvas e logo que a nuvem vai-se embora, todas as plantações que foram nutridas pela chuva definharão. Do mesmo modo, esta manifestação material acontece num certo intervalo, permanece por algum tempo e então desaparece. Esta é a função da prakrti. Mas este ciclo ocorre eternamente. Portanto, a prakṛti é eterna; ela não é falsa. O Senhor refere-Se a ela como “Minha prakrti”. Esta natureza material é a energia separada do Senhor Supremo, e de maneira semelhante, as entidades vivas também são energia do Senhor Supremo, embora não sejam separadas, mas eternamente relacionadas com Ele. Então o Senhor, a entidade viva, a natureza material e o tempo estão todos inter-relacionados e são eternos. Entretanto, o outro item, karma, não é eterno. De fato, os efeitos do karma podem ser bem antigos. Desde tempos imemoriais, estamos sofrendo ou desfrutando os resultados de nossas actividades, mas podemos modificar os resultados do nosso karma, ou de nossas actividades, e esta modificação depende da perfeição de nosso conhecimento. Estamos ocupados em várias actividades. Evidentemente, não sabemos que tipo de actividades devemos adoptar para aliviarmo-nos das acções e reacções de todas essas actividades, mas isto também se explica no Bhagavad-Gita.

A posição do ishvara, o Senhor Supremo, é uma de consciência Suprema. As jivas, ou entidades vivas, sendo partes integrantes do Senhor Supremo, também são conscientes. A entidade viva e a natureza material são explicadas como prakrti, a energia do Senhor Supremo, porém uma delas, a jiva, é consciente. A outra prakrti não é consciente. Esta é a diferença. Logo, a jiva-prakrti é chamada superior porque a jiva tem consciência semelhante à do Senhor. Entretanto, a consciência do Senhor é suprema, e ninguém deve ficar argumentando que a jiva, a entidade viva, também é supremamente consciente. Em fase alguma de sua perfeição pode o ser vivo ser supremamente consciente, e a teoria segundo a qual ele pode atingir este ponto é uma teoria desorientadora. Ele pode ser consciente, mas nunca perfeita ou supremamente consciente.

A distinção entre a jiva e o ishvara será explicada no Décimo Terceiro Capítulo do Bhagavad-Gita. O Senhor éksetra-jna, consciente, assim como o ser vivo, mas o ser vivo é consciente de seu corpo particular, ao passo que o Senhor é consciente de todos os corpos. Porque Ele vive no coração de cada ser vivo, o Senhor é consciente das actividades psíquicas de cada uma das jivas. É bom não nos esquecermos disto. Explica-se também que o Paramātmā, a Suprema Personalidade de Deus, vive nos corações de todos como ishvara, o controlador, e que Ele dá instruções para a entidade viva agir de modo a satisfazer seus anseios. A entidade viva esquece-se dos actos que deve executar. Em primeiro lugar, ela resolve agir de certa maneira, e então enreda-se nas acções e reacções de seu próprio karma. Após abandonar um corpo, ela ingressa em outro corpo, assim como vestimos e tiramos roupas. Ao passar por esta migração, a alma sofre as acções e reacções de suas actividades passadas. Essas actividades podem mudar quando o ser vivo está no modo da bondade, em seu juízo perfeito, e compreende que espécie de actividades deve adoptar. Se tomar esta atitude, então todas as acções e reacções de suas actividades passadas poderão ser modificadas. Consequentemente, o karma não é eterno. Por isso, afirmamos que, dos cinco itens (ishvara, jiva, prakrti, tempo e karma), quatro são eternos, mas o karma não é eterno.

Bhagavad-Gita ensina que temos de purificar esta consciência materialmente contaminada. Todavia, no momento atual, nossa consciência está materialmente contaminada. O Bhagavad-Gita ensina que temos de purificar esta consciência materialmente contaminada. Em consciência pura, nossas acções serão ajustadas à vontade do ishvara, e isso nos fará felizes. Não é que tenhamos de parar com todas as atividades. Ao contrário, nossas actividades devem ser purificadas, e actividades purificadas chamam-se bhakti. Actividades em bhakti parecem actividades comuns, mas a diferença é que elas não são contaminadas. Uma pessoa ignorante vai ver o devoto agindo ou trabalhando como um homem comum, mas essa pessoa que tem um pobre fundo de conhecimento não sabe que as atividades do devoto ou as do Senhor não são contaminadas pela consciência ou pela matéria impuras. Elas são transcendentais aos três modos da natureza. Devemos saber, porém, que neste momento nossa consciência está contaminada.

Quando estamos sob contaminação material, chamamo-nos condicionados. A consciência falsa manifesta-se naquele que se julga um produto da natureza material. Isto é chamado falso ego. Quem está absorto em pensar em conceitos corpóreos não pode compreender sua situação. O Bhagavad-Gita foi falado para que todos possam livrar-se da concepção de vida corpórea, e Arjuna colocou-se nesta posição para que o Senhor pudesse lhe fornecer esta informação. Devemos nos livrar da concepção de vida corpórea; esta é a actividade preliminar para quem deseja ser transcendentalista. A pessoa que quer tornar-se livre, que quer tornar-se liberada, deve primeiramente aprender que ela não é este corpo material. Todas as instruções do Bhagavad-Gita servem para despertar esta consciência pura, e por isso encontramos na última etapa de instruções do Bhagavad-Gita, Krishna perguntando a Arjuna se ele está agora em consciência purificada. Consciência purificada significa agir de acordo com as instruções do Senhor. Esta é a essência do significado de consciência purificada. A consciência existe porque somos partes integrantes do Senhor, mas temos a tendência de nos deixarmos afectar pelos modos inferiores. Porém o Senhor, sendo o Supremo, nunca é afectado. Esta é a diferença entre o Senhor Supremo e as pequeninas almas individuais.

O que é esta consciência? Esta consciência é “Eu sou”. Então, quem sou eu? Em consciência contaminada, “Eu sou” quer dizer “Eu sou o senhor de tudo o que me circunda. Eu sou o desfrutador”. O mundo prossegue porque cada ser vivo julga ser o senhor e criador do mundo material. A consciência material tem duas divisões psíquicas. Uma delas defende a idéia de que eu sou o criador, e a outra que eu sou o desfrutador. Mas na verdade, o Senhor Supremo é tanto o criador quanto o desfrutador, e a entidade viva, sendo parte integrante do Senhor Supremo, não é o criador nem o desfrutador, mas um cooperador. Ela foi criada para ser desfrutada. Por exemplo, a peça de uma máquina coopera com a máquina toda; uma parte do corpo coopera com todo o corpo. As mãos, pernas, olhos e assim por diante são todos partes do corpo, mas na verdade não são os desfrutadores. O desfrutador é o estômago. As pernas se locomovem, as mãos fornecem alimento, os dentes mastigam, e todas as partes do corpo estão ocupadas em satisfazer o estômago porque o estômago é o factor principal de nutrição na organização do corpo. Portanto, tudo é dado ao estômago. Nutre-se uma árvore regando-lhe a raiz, e nutre-se o corpo alimentando o estômago, pois para que o corpo se mantenha em estado saudável, as partes do corpo devem cooperar para alimentar o estômago. De modo semelhante, o Senhor Supremo é o desfrutador e o criador, e nós, como seres vivos subordinados, devemos procurar colaborar em satisfazê-lO. Esta cooperação acabará nos ajudando, assim como o alimento recebido pelo estômago ajudará todas as outras partes do corpo. Será um problema se os dedos da mão pensarem que devem tomar o alimento em vez de dá-lo ao estômago. A figura central da criação e do desfrute é o Senhor Supremo, e as entidades vivas cooperam com Ele. Cooperando, elas desfrutam. A relação é também como a do amo e do servo. Se o amo está plenamente satisfeito, então o servo também fica satisfeito. Da mesma maneira, deve-se procurar satisfazer o Senhor Supremo, embora nas entidades vivas também exista a tendência de tornar-se o criador e a tendência de desfrutar o mundo material, porque estas tendências existem no Senhor Supremo, que criou o mundo cósmico manifesto.

Verificaremos, portanto, neste Bhagavad-Gita que o todo completo é formado pelo controlador supremo, pelas entidades vivas controladas, pela manifestação cósmica, pelo tempo eterno e pelo karma, ou actividades, todos os quais são explicados neste texto. Tomados em conjunto, todos eles formam o todo completo, e o todo completo é chamado de Suprema Verdade Absoluta. O todo completo e a Verdade Absoluta completa são a Personalidade de Deus completa, Krishna. Todas as manifestações devem-se à Suas diferentes energias. Ele é o todo completo.

  

publicado por Lalanesha Dasa às 23:13

Julho 19 2014

Existem duas classes de homens, a saber, o devoto e o demônio. O Senhor escolheu Arjuna para receber esta grande ciência devido ao fato de ele ser um devoto do Senhor, mas não é possível que um demônio entenda esta grande ciência misteriosa. Há inumeráveis edições deste grande livro de conhecimento. Algumas delas têm comentários dos devotos, e outras têm comentários dos demônios. O comentário feito pelos devotos é verdadeiro, ao passo que o comentário dos demônios é inútil. Arjuna aceita o Senhor Krishna como a Suprema Personalidade de Deus, e qualquer comentário sobre o Bhagavad-Gita que siga os passos de Arjuna é verdadeiro serviço devocional em prol desta grande ciência. As pessoas demoníacas, no entanto, não aceitam o Senhor Krishna como Ele é. Ao invés disso, elas inventam algo sobre Krishna e em geral desviam os leitores, afastando-os das instruções de Krishna. Aqui fica uma advertência sobre esses caminhos enganosos. Todos devem tentar seguir a sucessão discipular procedente de Arjuna, e assim beneficiar-se com esta grande ciência do Bhagavad-Gita.

publicado por Lalanesha Dasa às 18:33

Julho 17 2014

Krishna revela com pormenores a Verdade Absoluta, a Suprema Personalidade de Deus. Agora, o próprio Senhor continua a iluminar Arjuna. E se alguém compreender isto através do processo de especulação filosófica, ele chegará à compreensão do serviço devocional. Desenvolvendo conhecimento com humildade, a pessoa tem toda a possibilidade de livrar-se do enredamento material. É devido à associação com os modos da natureza que a entidade viva está enredada neste mundo material. A Personalidade Suprema explica o que são esses modos da natureza, como eles agem, como eles atam e como eles liberam. O Senhor Supremo afirma que o conhecimento por Ele explicado, é superior porque vários grandes sábios alcançaram a perfeição e foram transferidos para o mundo Espiritual. 

Krishna conscientiza Arjuna dizendo:

 Fixando-se neste conhecimento, a pessoa pode alcançar uma natureza transcendental igual à Minha. Nesta situação, ela não nasce no momento da criação nem é perturbada no momento da dissolução.

 Quem, após adquirir conhecimento transcendental perfeito, desenvolve as mesmas qualidades da Suprema Personalidade de Deus, livra-se de repetidos nascimentos e mortes. No entanto, não se perde a identidade como alma individual. Através da literatura védica fica evidente que as almas liberadas que alcançaram os planetas transcendentais do céu Espiritual sempre recorrem aos pés de lótus do Senhor Supremo, estando ocupadas em Seu serviço transcendental amoroso. Logo, nem mesmo após a liberação os devotos perdem suas identidades individuais.

De um modo geral, qualquer conhecimento que obtenhamos no mundo material está contaminado pelos três modos da natureza material. Mas o que não está contaminado chama-se conhecimento transcendental. No momento em que obtemos conhecimento transcendental, já estamos na mesma plataforma da Pessoa Suprema. Aqueles que nada conhecem sobre o céu Espiritual afirmam que, após libertar-se das atividades materiais executadas num corpo material, esta identidade Espiritual torna-se amorfa, sem nenhuma variedade. Entretanto, assim como há variedade neste mundo material, no mundo Espiritual também há variedade. Aqueles que ignoram isto pensam que a existência Espiritual é exatamente o oposto da variedade material. Mas na verdade, no céu Espiritual, todos obtêm uma forma Espiritual. Há atividades Espirituais, e a situação espiritual chama-se vida devocional. Está dito que nesta atmosfera não contaminada todos têm as mesmas qualidades do Senhor Supremo. Para obter esse conhecimento, devemos desenvolver todas as qualidades Espirituais. Quem desenvolve essas qualidades espirituais não é afetado pela criação nem pela destruição do mundo material.

publicado por Lalanesha Dasa às 21:01

Julho 16 2014

A Suprema Personalidade de Deus disse:

Agora preste atenção, ó Arjuna, enquanto lhe explico como é que, praticando yoga com plena consciência de Mim, e com a mente apegada a Mim, você poderá livrar-se das dúvidas e conhecer-Me por completo.Vou declarar na íntegra este conhecimento, tanto fenomenal quanto numenal. Conhecendo isto, não restará nada mais para você saber.

O conhecimento completo inclui o conhecimento acerca do mundo fenomenal, do espírito que o impulsiona e da fonte de ambos. Este conhecimento é transcendental. O Senhor quer explicar o sistema de conhecimento acima mencionado porque Arjuna é devoto e amigo íntimo de Krishna.

O conhecimento completo só pode ser obtido pelo devoto do Senhor em direta sucessão discipular do Senhor. Portanto, deve-se ser bastante inteligente para conhecer a fonte de todo o conhecimento, que é a causa de todas as causas e o único objeto de meditação em todas as espécies de prática de yoga. Quando a causa de todas as causas se torna conhecida, então, tudo o que é cognoscível torna-se conhecido, e nada fica incógnito.

Com isso Krishna afirma dizendo:

Dentre muitos milhares de homens, talvez haja um que se esforce para obter a perfeição, e dentre aqueles que alcançaram a perfeição, é difícil encontrar um que Me conheça de verdade.

“Quem, ao ouvir sobre Krishna, recorre à literatura védica, ou ouve sobre Ele diretamente através do Bhagavad-Gita, executa uma atividade virtuosa. E para aquele que ouve sobre Krishna, o Senhor Krishna que reside nos corações de todos, age assim como o maior benquerente e amigo, e purifica o devoto que sempre se ocupa em ouvir sobre Ele. Dessa maneira, o devoto desenvolve seu conhecimento transcendental latente com espontaneidade. À medida que continua a ouvir sobre Krishna através das escrituras Sagradas e de outros devotos imaculados do Senhor, ele se fixa no serviço devocional ao Senhor. Desenvolvendo o serviço devocional, será possível livrarmo-nos dos modos da paixão e da ignorância, e com isso a luxúria e a avareza materiais decrescem. Quando estas impurezas são removidas, o candidato permanece firme em sua posição de bondade pura, fortalece-se no serviço devocional e compreende perfeitamente a ciência de Deus. Assim, a bhakti-yoga rompe o nó cego da afeição material e capacita-o a chegar de imediato à fase em que passa a compreeender a Suprema Verdade Absoluta, a Personalidade de Deus.” 

publicado por Lalanesha Dasa às 17:50

Julho 12 2014

Uma pessoa auto-realizada não tem obrigação nenhuma de executar dever prescrito algum, salvo e excepto as actividades em consciência de Krishna. A consciência de Krishna tampouco é inactividade, como se explicará a seguir. Uma pessoa consciente de Krishna não se refugia em ninguém _ homem ou semideus. Tudo o que ele faz em consciência de Krishna preenche sua obrigação.

Portanto, sem se apegar aos frutos das actividades, deve-se agir por uma questão de dever, pois, trabalhando sem apego alcança-se o Supremo.

 Para quem entendeu o que é consciencia de Krishna, sabe perfeitamente que o Supremo é a Personalidade de Deus, e para aquela pessoa que vive vagando na especulação sobre a natureza Divina de Deus, a Suprema Personalidade de Deus é a causa de sua liberação. Quem age para Krishna, ou em consciência de Krishna, sob orientação apropriada e sem apego ao resultado do trabalho, decerto progride rumo à meta Suprema da vida. Na imagem acima, Arjuna ouviu de Krishna que deveria lutar, defendendo os interesses do próprio Krishna, porque Krishna queria que ele lutasse. Ser um homem bom ou um homem não-violento é um apego pessoal, mas agir em prol do Supremo é agir sem apego ao resultado. Isto é acção perfeita no grau mais elevado, recomendada pela Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Krishna.

Os rituais védicos, tais como os sacrifícios prescritos, são executados para a purificação de actividades ímpias que foram executadas na esfera do gozo dos sentidos. Mas a acção em consciência de Krishna é transcendental às reacções do trabalho bom ou mau. Quem é consciente de Krishna não tem apego ao resultado, mas age somente para defender os interesses de Krishna. Ele se ocupa em todas as espécies de actividades, mas está inteiramente desapegado.

Como Krishna mesmo afirma dizendo:

Para aquela pessoa que sente prazer no Eu e utiliza a vida humana para buscar a auto-realização, satisfazendo-se apenas no Eu, plenamente saciada _  para ela não há dever. E estando livres do apego, do medo e da ira, estando plenamente absortas em Mim e refugiando-se em Mim, muitas e muitas pessoas no passado purificaram-se através do conhecimento a Meu respeito e com isso todas alcançaram amor transcendental por Mim.

 

publicado por Lalanesha Dasa às 16:18

Ofereço respeitosas reverências a meu mestre espiritual que, com o archote do conhecimento, abriu meus olhos que estavam cegos por causa da ignorância!
Todos nós seres vivos, somos almas espirituais eternas, e, em contato com o mundo material, cada alma torna-se corporificada em um tipo de corpo particular, entre as 8.400.000 espécies de vida do universo terrestre; Segundo a literatura Védica ...

Tema do Amor à Deus