*Sejam*Bem-Vindos* De Volta ao Supremo*

Julho 04 2015

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 Krishna com Sua amabilidade Suprema entende o que Arjuna indaga sobre sua confusa questão de compreender os fatos relacionados ao seu dever como guerreiro nessa batalha onde por ordem do destino foi obrigado a se envolver, e Krishna da a ele a seguinte resposta nas inúmeras respostas que ao longo dessa batalha se propõe a orienta-lo dizendo:

Todos são irremediavelmente forçados a agir segundo as qualidades que adquirem dos modos da natureza material; portanto, ninguém pode deixar de fazer algo, nem mesmo por um momento. Só por nos abstermos da ação não significa que estamos livres da reação, nem somente pela prática da renúncia pode-se atingir a perfeição.

Não é devido à vida encarnada, mas devido à própria natureza que a alma está sempre activa. Sem a presença da alma espiritual, o corpo material não pode mover-se. O corpo é apenas um veículo morto, operado pela alma espiritual, que está sempre activa e não pode parar um momento sequer. E assim, a Alma Espiritual deve ocupar-se no bom trabalho da consciência de Krishna, caso contrário, ficará às voltas com ocupações ditadas pela energia ilusória. Ao entrar em contacto com a energia material, a alma espiritual assimila os modos materiais, e, para purificar a alma destas afinidades, é necessário ocupar-se nos deveres prescritos, estipulados nas Escrituras Sagradas dos Vedas. Mas se a alma ocupar-se em sua função natural, na consciência de Krshna, tudo o que venha a fazer será bom para ela.

Nas Escrituras Sagradas dos Vedas existe a seguinte afirmação: 

“ Se alguém adota a consciência de Krishna, mesmo que não siga os deveres prescritos descritos nas Escrituras Sagradas dos Vedas ou não execute o serviço devocional correctamente, e muito embora acabe caindo do padrão aceitável, não há perda ou dano para ele. Mas se ele executa todas as prescrições para purificação contidas nos Vedas, que lhe adiantará se ele não for consciente de Krishna?”

Logo, o processo purificatório é necessário para que se alcance a plataforma da consciência de Krishna. Portanto,  qualquer processo purificatório, serve como ajuda para a pessoa alcançar a meta última, tornando-a consciente de Krishna, caso contrário, o esforço será considerado um fracasso.

Existem muitos impostores que se recusam a trabalhar em consciência de Krishna, mas fazem um show de meditação, enquanto a mente de fato não se afasta da satisfação dos sentidos. Tais impostores também podem falar de filosofia árida para enganar seguidores sofisticados, mas, de acordo com o que Krishna exemplifica ao pedido de Arjuna em sua prece, estes são os maiores enganadores. Em prol do prazer de seus sentidos alguém pode agir nos vários níveis da ordem social, mas se ele segue as regras e regulações de sua posição específica, poderá aos poucos progredir na purificação de sua existência. Mas aquele que tenta passar por yogue, enquanto de fato busca os objectos de prazer dos sentidos, deve ser chamado o maior dos enganadores, embora às vezes fale de filosofia. Seu conhecimento não tem valor, porque os efeitos do conhecimento de tal homem pecaminoso são removidos pela energia ilusória do Senhor. A mente desse farsante é sempre impura, e portanto sua exibição de meditação ióguica não tem valor algum.

Para alcançar a auto-realização, uma pessoa pode levar uma vida controlada, como é prescrito nas Escrituras Sagradas dos Vedas, e continuar a executar sua ocupação sem apego, e dessa forma progredir. Uma pessoa sincera que segue este método está muito melhor situada do que o impostor farsante que faz uma exibição de espiritualismo só para enganar o público inocente. Um varredor de rua sincero é muito melhor do que o meditador charlatão que pratica sua meditação com o único propósito de ganhar a vida.

Sendo assim Krishna a Suprema Personalidade de Deus com Sua Suprema amabilidade da a Arjuna a seguinte instrução: 

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publicado por Lalanesha Dasa às 17:00

Junho 27 2015

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Shri  Narada Muni dá a seguinte instrução dizendo:

“Se alguém abandona todas as perspectivas materiais e se refugia por completo na Suprema Personalidade de Deus, ele não sofrerá nenhum tipo de perda ou degradação. Por outro lado, embora se ocupe plenamente em seus deveres ocupacionais, o não-devoto pode acabar não ganhando nada.”

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Há muitas atividades, tanto aquelas relatadas nas escrituras quanto as costumeiras, que propiciam um bom desempenho material. Supõe-se que um transcendentalista abandone todas as atividades materiais e prefira o progresso na vida espiritual, na consciência de Krishna. Talvez argumente-se que através da consciência de Krishna, o devoto desenvolvendo-a por completo, possa conseguir a perfeição mais elevada, mas se ele não atinge esta etapa de perfeição, então, perde tanto material quanto espiritualmente. Consta nas escrituras que todos têm que sofrer a reação decorrente do fato de não executarem os deveres prescritos; portanto, alguém que deixe de executar adequadamente as atividades transcendentais sujeita-se a estas reações. As escrituras sagradas dos Vedas, menciona que garante que o transcendentalista malsucedido não precisa preocupar-se. Embora ele possa se sujeitar à reação por não executar perfeitamente os deveres prescritos, mesmo assim, ele não sai perdendo, porque a auspiciosa consciência de Krishna nunca é esquecida, e alguém envolvido nesta ocupação, continuará a executá-la, mesmo que na próxima vida tenha um nascimento inferior. Por outro lado, quem simplesmente segue à risca os deveres prescritos não alcança necessariamente resultados auspiciosos se lhe está faltando consciência de Krishna.

O próprio Senhor Krishna afirma isso dizendo: 

Um transcendentalista ocupado em atividades auspiciosas não se depara com a destruição nem neste mundo nem no Mundo Espiritual; quem faz o bem, Meu amigo, jamais é vencido pelo mal.

O significado pode ser entendido da seguinte maneira: pode-se dividir a humanidade em duas seções, a saber, as pessoas reguladas e as não-reguladas. Aqueles que só se ocupam em gozos sensoriais animalescos, sem conhecimento sobre sua próxima vida ou sobre a salvação espiritual, pertencem à seção não-regulada. E aqueles que seguem princípios, conhecendo os deveres prescritos nas escrituras, incluem-se na seção regulada. A seção não-regulada, tanto civilizada quanto incivilizada, instruída e não-instruída, forte e fraca, está cheia de propensões animalescas. Suas atividades nunca são auspiciosas, porque, enquanto gozam das propensões animais, ou seja, comer, dormir, defender-se e acasalar-se, estas pessoas permanecem perpetuamente na existência material, que é sempre miserável. Por outro lado, aqueles que são regulados pelos preceitos das escrituras e que assim aos poucos elevam-se à consciência de Krishna, com certeza progridem na vida.

Aqueles que seguem o caminho da prosperidade podem dividir-se em três seções, que são: (1) os seguidores das regras e regulações das escrituras que estão gozando prosperidade material; (2) aqueles que estão tentando encontrar a maneira de liberar-se definitivamente da existência material; e (3) aqueles que são devotos em consciência de Krishna. Continuando, aqueles que seguem as regras e regulações das escrituras em troca de felicidade material podem ser divididos em duas classes: os que são trabalhadores fruitivos e os que não desejam desfrutar de gozo dos sentidos. Aqueles que estão buscando resultados fruitivos que lhes propiciem gozo dos sentidos, podem elevar-se a um padrão de vida mais elevado — podendo até ser admitidos nos planetas superiores — mas mesmo assim, porque não estão livres da existência material, não seguem o caminho verdadeiramente auspicioso. As únicas atividades auspiciosas são as que nos levam à liberação. Nenhuma atividade que não vise à auto-realização última ou não nos libere do conceito de vida corpórea material não é nada auspiciosa. A atividade em consciência de Krishna é a única atividade auspiciosa, e qualquer um que voluntariamente aceite todos os incômodos físicos para progredir no caminho da consciência de Krishna pode chamar-se um transcendentalista perfeito que se submete a rigorosas austeridades. E porque o sistema óctuplo de yoga presta-se a que se compreenda definitivamente a consciência de Krishna, essa prática também é auspiciosa, e alguém que esteja se empenhando a fundo nesse empreendimento não precisa temer a degradação.

 Os yogues malsucedidos dividem-se em duas classes: numa estão aqueles que caem após pouquíssimo progresso, e na outra, aqueles que caem após longa prática de yoga. O yogue que cai após um curto período de prática vai para os planetas superiores, aos quais as entidades vivas piedosas têm acesso. Depois de uma vida prolongada, ele é mandado de volta a este planeta, para nascer na família de monges Vaishnavas virtuosos ou de comerciantes aristocratas.

O verdadeiro propósito da prática de yoga é conseguir a perfeição máxima, a consciência de Krishna. Mas, aqueles que não perseveram até este ponto e que falham devido às seduções materiais têm, pela graça do Senhor, permissão de desenvolver suas propensões materiais. E depois disso, eles recebem a oportunidade de viver vidas prósperas em famílias virtuosas ou aristocráticas. Aqueles que nascem em tais famílias podem tirar proveito das condições favoráveis e tentar elevar-se à plena consciência de Krishna.

Como Krishna mesmo afirma dizendo:

Obtendo tal nascimento, ele revive a consciência divina de sua vida anterior e tenta progredir ainda mais para alcançar o êxito completo.

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publicado por Lalanesha Dasa às 17:36

Junho 24 2015

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Krishna a Suprema Personalidade de Deus instrui Arjuna dizendo-lhe:

 Meu querido Arjuna, só pelo serviço devocional indiviso é possível compreender-Me como Eu sou, aqui diante de você, podendo ser visto diretamente. Somente dessa maneira você pode ingressar nos mistérios da compreensão acerca de Mim.

Krishna pode ser compreendido somente pelo processo do serviço devocional indiviso. Ele explica isso explicitamente aqui para que todos aqueles, que tentam compreender o Bhagavad-Gita através do processo especulativo, saibam que estão apenas perdendo seu tempo. Ninguém pode compreender Krishna como Ele é ou como Ele veio de Seus pais numa forma de quatro mãos, e em seguida transformou-Se numa forma de duas mãos. Estes fenômenos são muito difíceis de ser compreendidos por meio do estudo dos Vedas ou através da especulação filosófica. Por isso, aqui se afirma claramente que ninguém pode vê-lO ou ter acesso à compreensão destes assuntos. Todavia, aqueles que são estudantes muito experientes na literatura védica podem, através desta literatura, adquirir muitos conhecimentos sobre Ele. Há tantas regras e regulações, e se alguém tem algum interesse em compreender Krishna, deve seguir os princípios reguladores descritos na literatura autorizada. Podem-se executar penitências de acordo com esses princípios. Por exemplo, para se submeter a penitências sérias, pode-se observar jejum em Janmashtami, o dia em que Krishna apareceu, e nos dois dias de Ekadasi (o décimo primeiro dia depois da lua nova e o décimo primeiro dia depois da lua cheia). Quanto à caridade, é evidente que se deve dar caridade aos devotos de Krishna que se ocupam no Seu serviço devocional, para disseminar a filosofia de Krishna, ou a consciência de Krishna, por todo o mundo. A consciência de Krishna é uma bênção para a humanidade. Logo, se alguém contribui com os devotos envolvidos na distribuição da consciência de Krishna, essa caridade, feita para que se difunda a consciência de Krishna, é a maior caridade do mundo. E se alguém adora conforme as regras de um templo, recebe uma oportunidade de progredir, oferecendo adoração e respeito à Suprema Personalidade de Deus. Para os principiantes no serviço devocional ao Senhor, a adoração no templo é essencial, e a literatura védica confirma isto.

Alguém que tem devoção inabalável ao Senhor Supremo e é dirigido pelo Mestre Espiritual, no qual ele tem a mesma fé inabalável, pode ver a Suprema Personalidade de Deus por revelação. Ninguém pode entender Krishna através da especulação mental. Quem não recebe treinamento pessoal sobe a orientação de um mestre espiritual autêntico não pode nem mesmo começar a entender Krishna. 

As formas pessoais de Krishna, a forma de dois braços e a de quatro braços, são descritas como muito difíceis de serem vistas. Elas são inteiramente diferentes da forma universal temporária mostrada a Arjuna. A forma de Narayana, que tem quatro braços, e a forma de Krishna, com dois braços, são eternas e transcendentais, ao passo que a forma universal manifestada a Arjuna é temporária. E declara-se que, antes de Anjuna, ninguém havia visto aquela forma universal. E também sugere que não havia necessidade de mostrá-la aos devotos. Krishna exibiu esta forma a pedido de Arjuna para que no futuro, quando alguém se apresentasse como encarnação de Deus, as pessoas pudessem pedir-lhe para ver sua forma universal.

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 Krishna muda da forma universal para a forma de Narayana, que tem quatro braços, e depois para a Sua própria forma natural que possui dois braços. Isto indica que as formas de quatro braços e as outras formas mencionadas na literatura védica são todas emanações de Krishna, que originalmente tem dois braços. Ele é a origem de todas as emanações. Se Krishna é distinto até mesmo dessas formas, que dizer então da concepção impessoal? Quanto às formas em que Krishna apresenta quatro braços, afirma-se claramente que mesmo a forma de quatro braços mais parecida com Krishna (que é Maha-Vishnu, deitado no oceano cósmico e que com Sua respiração exala e inala inumeráveis universos) é também Sua expansão. 

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 “O Maha-Vishnu, no qual todos os inúmeros universos entram e do qual eles tornam a sair através do Seu simples processo respiratório, é uma expansão plenária de Krishna. Por isso, deve-se adorar Govinda, Krishna, a causa de todas as causas.” Portanto, deve-se definitivamente adorar a forma pessoal de Krishna como a Suprema Personalidade de Deus que tem bem-aventurança e conhecimento eternos. Ele é a fonte de todas as formas de Vishnu, a fonte de todas as formas de encarnações e a Suprema Personalidade original, como se confirma no Bhagavad-Gita: 

“Ofereço minhas respeitosas reverências a Krishna, que tem uma forma transcendental de bem-aventurança, eternidade e conhecimento. Ofereço- Lhe meus respeitos, porque compreendê-lO significa compreender os Vedas e Ele é, portanto, o Mestre Espiritual Supremo.” 

“A Suprema Personalidade de Deus é Krishna, que tem um corpo de eternidade, conhecimento e bem-aventurança. Ele não tem começo, pois Ele é o começo de tudo. Ele é a causa de todas as causas.”  

A forma universal não é atrativa para os devotos puros, que amam o Senhor em diferentes relacionamentos transcendentais. A Divindade Suprema reciproca amor transcendental em Sua forma original, a forma de Krishna. Por isso, para Arjuna, que tinha uma relação de amizade tão íntima com Krishna, esta forma da manifestação universal não era agradável; ao contrário, era aterradora. Arjuna, que era um companheiro constante de Krishna, com certeza tinha olhos transcendentais; ele não era um homem comum. Por isso, ele não ficou cativado pela forma universal. Esta forma talvez pareça maravilhosa para pessoas que estão interessadas em elevar-se por meio de atividades fruitivas, mas para quem se ocupa em serviço devocional, a forma de Krishna com duas mãos é a mais querida.

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publicado por Lalanesha Dasa às 21:39

Junho 20 2015

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Uma história intitulada...
As jóias de Krishna.
....Kala, o ladrão, arrastava-se furtivamente de quarto em quarto, pela casa de um homem rico. Não havia sido difícil entrar desapercebido, porque todos que viviam na vila, tinham vindo naquela noite para ouvir o Pandit. Agora, estavam sentados à volta dele no saguão central, ouvindo com atenção extasiada uns poucos versos que ele cantava, tirados de seu precioso livro de folhas de palmeira, diante dele no estrado, explicando-os e desenvolvendo-os para que todos pudessem entender. O dono da casa, sua família e os empregados estavam absorvidos, como também outros que ali se encontravam atentamente com muita devoção felizes e com seus rostos brilhantes, no deleite de ouvir as histórias doces e encantadoras do Senhor.
Era uma oportunidade maravilhosa para Kala tentar apossar-se de tudo que pudesse. Sua mente estava ocupada com sua busca e não prestava nenhuma atenção à história que fascinava os aldeões. Ele era um ladrão e um vagabundo, não tinha lar, nem família ou amigos. Uma vaga lembrança do homem que ensinara o único ofício que ele conhecia era tudo que restava. Kala não tinha a mínima idéia se o velho Babu era relacionado com ele de algum modo; sabia apenas que tinha sido gentil e lhe ensinado como ser rápido e esperto para surrupiar pequenos objetos que podiam ser trocados por dinheiro, em certos lugares que eles conheciam. O que não aprendera com o velho Babu, conseguiu fazê-lo por si próprio, desde que seu protetor desaparecera – quer para o reino do Senhor Yama (o deus da morte), ou para a equivalente cadeia, Kala não sabia. Agora não tinha mais ninguém e procurava defender-se da única maneira que conhecia. Estava quase sempre sozinho quando ia de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, e sonhava em ter um lugar a que pertencesse, em vez de ser sempre um intruso, à margem das coisas, olhando para um mundo onde não havia lugar para ele. Imaginava-se encontrando alguma coisa realmente valiosa – uma rica bolsa de homem, um diamante, um bracelete de rainha... algo que pudesse lhe proporcionar o bastante para comprar uma pequena casa na cidade e mantê-lo, a fim de nunca mais ficar com medo. Então ele teria vizinhos, amigos... sabia que era apenas um sonho, mas o pensamento de seu tesouro aquecia-lhe o coração e enchia-lhe a mente, enquanto andava de quarto em quarto. As palavras do Pandit, que prendiam a atenção dos aldeões, nada significavam para Kala. Mas, de repente, uma frase atraiu sua atenção, e detendo-se na sua ronda furtiva, ele ouviu a história, com crescente encanto, e foi se aproximando, sem notar, do círculo à volta do estrado.
O Pandit estava lendo e cantando o Bhagavata Purana, que fala das histórias admiráveis da vida do Senhor Krishna. Ele estava passando apenas uns dias nessa aldeia, pois era sua vida andar de um lugar pra o outro, contando a todos que o quisessem ouvir sobre o seu amado Senhor. Na noite anterior, narrara a seus ouvintes ansiosos o nascimento de Krishna, a crueldade de Kansa seu tio demoníaco, e como Krishna, milagrosamente, havia sido trazido para casa de Nanda Maharaj, onde crescera como filho da Mãe Yashoda. Esta noite a história era sobre a juventude de Krishna, na floresta de Vrindavan. Os versos contavam, como ao primeiro clarão do dia, os meninos pastores gritavam do lado de fora da casa de Krishna:
- Krishna! Balarama! Ainda não acordaram? Venham, seus dorminhocos! É hora de levar as vacas para pastar.
Então relatavam como a Mãe Yashoda preparava a comida antes de os meninos se ataviarem com as belas roupagens que sempre usavam. O Pandit descrevia com detalhes cheios de amor, como ela os vestia com belos dhotis– o de Krishna, amarelo alaranjado, que brilhava contra sua pele escura, e o de Balarama, azul escuro, como o mar distante. Depois, ela colocava seus adornos: pulseiras, colares, cintos e ornatos de cabeça engastados de jóias e, por último, suas tornozeleiras de ouro. Estas foram as palavras que atraíram a atenção de Kala e seu espanto crescia, à medida que o Pandit ia descrevendo todo o esplendor cintilante dos ornamentos de Krishna:
- Pulseiras de ouro incrustadas de pérolas e rubis nos braços; um cinturão de ouro e pérolas à volta da cintura; um diadema de ouro na cabeça, no qual sempre usava uma pena de pavão; ao redor dos tornozelos, sinos de ouro que faziam uma música tão encantadora que arrebatava a alma; e à volta do pescoço um colar de jóias variadas engastadas de ouro, que pendia até o peito, onde um único diamante brilhava com tal esplendor que o próprio sol parecia escuro.
O Pandit continuava a falar sobre os olhos travessos de Krishna, o encanto suave de seu rosto que irradiava tal amor e beleza, que se poderia contemplá-lo para sempre com incansável deleite; de sua pele escura e cabelos encaracolados, suas mãos e pés delicados, o charme de cada linha de seu corpo...e por fim, a irresistível música de Sua flauta, cujo fascínio não podia ser expresso em palavras. Mas Kala não estava ouvindo. Nem tinha voltado ao seu trabalho. Permanecia deslumbrado, estupefato, diante da perspectiva que se abria diante dele. Por que deveria ele se incomodar em furtar uma ninharia aqui, uns poucos níqueis ou tecido ali? Por que continuar nessa existência imprevidente, andando de um lugar para outro, roubando o que podia conseguir? Se ele pudesse encontrar essas duas crianças, seria fácil tirar seus adereços... e então não teria mais com que se preocupar durante o resto da vida. Poderia comprar uma pequena casa e viver tranqüilamente como todo mundo. Sua mente continuava, repetindo sempre a descrição que ouvira daquelas maravilhosas jóias. Até que podia quase ver, diante dos olhos, a criança escura, cintilando com todos os seus atavios. Não podia pensar em mais nada. E assim ele ficou como se estivesse em transe, surdo, até que Pandit terminasse sua história.
Então o bom Pandit, com seu rosto brilhando de devoção convidou todos os ouvintes para comer prasad. Enquanto faziam suas oferendas, ele deu um punhado de flores perfumadas a cada um, e assim abençoadas e purificadas, as pessoas voltaram às suas casas. Kala deixou a casa com o resto, porém esperou fora, atrás de uma árvore, até que finalmente o Pandit fosse levado à porta para se despedir, com os respeitosos cumprimentos do anfitrião de sua família. Nosso ladrão tinha decidido falar com o Pandit e descobrir mais sobre aquelas duas maravilhosas crianças e suas jóias.
Assim, quando o Pandit se pôs a caminho em direção à casa, que havia sido providenciada para sua estada, Kala seguiu-o; e ao chegarem a um trecho deserto do caminho, ele gritou:
- Hei, Panditji! Espere por mim, quero falar-lhe!
Ao som daquela voz áspera, o Pandit pensou imediatamente em assalto. No seu cinto carregava todo o dinheiro que os aldeões tinha lhe oferecido como dakshina, e ele estava com medo... Apertando sua roupa mais de encontro ao corpo, ele apressou o passo. Mas outra vez Kala gritou:
- Espere por mim, Panditji! De que tem medo? Quero perguntar-lhe uma coisa.
Então, não havia razão para se preocupar. O Pandit parou e esperou, dizendo uma prece em seu coração.
- Quero saber mais acerca daqueles meninos... aqueles meninos de quem você estava falando. Como se chamam? Onde moram? Quem é seu pai? Como posso encontrá-los?
O Pandit estava assombrado com a avalanche de perguntas desse homem de aspecto rude; como ele não parecia lhe querer mal, respondeu:
- Você não ouviu o que estava dizendo às pessoas?Krishna e seu irmão Balarama vivem na casa de Nanda Maharaj, o chefe dos pastores, perto de Brindavan, e todos os dias, ao amanhecer, levam as vacas para os campos e florestas que margeam o rio Yamuna.
- Qual é o caminho daqui para Brindavan? Não é muito longe, não é? É verdade que essas crianças vão todos os dias para os campos, vestidas como você disse, com todas aquelas jóias esplêndidas?
O Pandit começou a ter um vislumbre de percepção. Sentiu que, talvez, pudesse adivinhar o que tinha despertado o interesse deste sujeito inculto... e ele queria apenas chegar em casa com seu dinheiro e a pele intacta. Porém ainda perguntou:
- Por que você está me fazendo todas essas perguntas? Você não ouviu o que disse? O que o fez tão interessado?
Kala olhou para o Pandit e disse francamente:
- Olhe para mim! Você sabe o que sou, não é? E por que iria um ladrão com eu ficar interessado naquelas crianças? É verdade que elas têm todas aquelas jóias... ou você estava apenas inventando? – perguntou ele de repente, avançando sobre o Pandit, com o punho levantado e olhar ameaçador.
- Não, não, não inventei. Claro que é tudo verdade, - disse o Pandit apressadamente.
- E se eles usam todas aquelas jóias quando vão para os campos todos os dias, devem ter muito mais em casa para ocasiões especiais, não é Panditji? Quanto você acha que elas valem juntas?
- As riquezas de Krishna são um tesouro inestimável, além de tudo que se possa imaginar, - replicou o Pandit com um sorriso.
- Bem, só daqueles adereços faria minha independência para o resto da vida. E eu pretendo ir até lá e conseguir algo, - disse o ladrão. – Assim, é melhor você me dizer, francamente, como posso chegar até la. E não tente brincar comigo, porque, se não os achar, pode ficar certo de que voltarei e me vingarei. Mas se conseguir o que quero, então dar-lhe-ei sua parte por ter me ajudado, você verá.
Assim o pobre Pandit, querendo apenas chegar em casa salvo, apontou para o norte e disse:
- Brindavan fica para aquele lado.
- E como vou saber quando chegar lá? Como é que ele é, esse lugar Brindavan? – interrogou Kala.
- Há um rio largo, com lindos prados verdes e arvoredos de flores ao longo das margens. Especialmente, há belas árvores Kadamba... você conhece a árvore Kadamba, com suas longas folhas e enormes bolas de flores? Lá os pastores vêm de manha cedo, e Krishna fica debaixo de uma Kadamba, tocando sua flauta encantada; você certamente o reconhecerá quando o vir.
O crédulo ladrão ficou muito satisfeito com o que Pandit disse de suas memórias dos versos sagrados, resolvendo partir imediatamente e não descansar até chegar ao rio, achar as maravilhosas crianças e tomar-lhes alguns de seus tesouros inestimáveis.
Era o alvorecer do terceiro dia quando Kala chegou ao rio. Ele não tinha quase dormido e comido no caminho e, durante toda sua longa jornada, uma imagem somente enchia sua mente: a linda criança escura de cabelos encaracolados, num dhoti amarelo e jóias brilhantes, com uma pena de pavão no diadema de Sua cabeça. Esta visão o havia incitado de tal modo durante as cansativas milhas, que ele estava vagamente consciente da fome e sede e fadiga e da dor nas pernas e nos pés. E aqui, finalmente, estava o rio, parecendo tão fresco e acalentador, brilhando esmaecido ao lusco-fusco, correndo veloz e profundo entre as ribanceiras verdes, margeado aqui e ali por pequenas praias de areia. Certamente este deveria ser o lugar!
“Mas os meninos não virão senão de manhã...” pensou Kala, e imaginou qual seria a direção da aldeia; mas ele não via nenhuma casa por perto, e o rio fresco e a grama verde pareciam tão convidativos que ele decidiu ficar onde estava e esperar pela luz do amanhecer. Refrescou os pés doloridos no rio e a água pareceu-lhe tão boa que mergulhou nela. Depois estendeu o corpo fatigado na grama refrescante e macia. Porém, embora estivesse muito cansado, a imagem daquela criança encantadora ainda flutuava diante de seus olhos fechado... Talvez tenha passado uma ou duas horas quando ele acordou com um luar radiante em seu rosto, seu corpo tremendo de excitação.
“Eles virão ao primeiro raio de sol”, pensou, “vou encontrar um bom lugar para me esconder e procurar por eles; não devo perder essa oportunidade.”
E seguiu para a ribanceira do rio, procurando pela árvore Kandamba que Pandit havia mencionado. Eram muitas as árvores belas e altas e, enquanto seguia o rio, logo chegou a um lindo arvoredo de folhas largas, perfumadas com as inflorescências de bolas fofas, que enchiam o ar com seu odor. Enquanto ele passava debaixo das enormes árvores, Kala teve a estranha sensação de algo que nunca tinha sentido antes na vida, algo mágico e doce, um sopro de promessa encantadora.
“Este deve ser o lugar”, pensou, “aqui estão as árvores. E como é viçosa a grama e a vegetação. Seguramente eles virão para cá com suas vacas ao amanhecer. Este deve ser o lugar.”
Ele tremia de excitação outra vez, ao procurar um esconderijo. Escolheu um arbusto perto do rio, entrou debaixo de seus galhos e sentou-se para esperar a manhã. Mas havia formigas que picavam e nem mesmo a visão na sua mente podia fazê-lo se esquecer dessas criaturas importunas.
“Além disso”, pensou, “e se Krishna seguir outro caminho? Mesmo que ele esteja apenas um pouquinho mais além do rio, posso perdê-lo... e aqui na margem não parece existir nenhuma trilha de vacas. É melhor trepar numa dessas árvores e então serei capaz de vê-lo mesmo à distância.”
Assim ele se arrastou, removendo as formigas e galhos de seus braços e cabelos, e olhou à volta à procura de uma boa árvore para subir. Havia uma à margem do arvoredo e, com alguma dificuldade, alçou-se entre os ramos cheios de folhas. Porém as folhas formavam uma folhagem tão espessa que ele não podia ver muito e também não estava confortável, pousado num ramo como um passarinho; estava com medo de que, se adormecesse, caísse como uma fruta madura. Assim, desceu outra vez para procurar um lugar melhor. Por fim, simplesmente recostou-se contra um dos grandes troncos, liso e prateado, num pequeno nicho, onde ficou abrigado e não podia ser visto; e a despeito de toda sua ansiosa antecipação, foi vencido pelo cansaço e seus olhos fecharam-se e a cabeça pendeu para o lado.
Aos primeiros raios da madrugada, despertou assustado...o que o teria acordado de seus sonhos com Krishna? Lá estava outra vez, muito doce para ouvir o canto de pássaros, embora eles estivessem acordando e espalhando seu canto à volta, enquanto a luz mágica da madrugada intensificava todos os matizes e sombras maravilhosas da floresta. Desta vez soaram bem claras na primeira brisa trêmula, as notas de uma flauta! O coração de Kala quase deixou de bater de excitação e deleite – eles estavam realmente vindo, o Pandit não o tinha iludido, não tinha cometido um engano, este era o rio certo, a floresta certa, e eles estavam vindo por este caminho, em direção a este mesmo arvoredo! Ele podia ouvir as vozes infantis agora e o andar compassado das vacas... contudo, eles estavam passando um pouco para a esquerda e desaparecendo na floresta – ele não iria encontrá-los!
Kala já se punha de pé para seguir as vozes, quando um movimento, num canto longínquo da clareira, chamou sua atenção. Lá, debaixo da mais afastada árvore, estava uma pequenina figura, seu dhoti amarelo-laranja, barrado de vermelho e dourado, cintilava incrivelmente vívido naquele alvorecer matinal contra a pele escura e os verdes e cinzas da floresta. O menino estava lá, parado, e tocava flauta, com os pés cruzados um sobre o outro, uma pena de pavão no cabelo, jóias reluzindo à volta do pescoço, dos braços, dos tornozelos e testa, um sorriso doce no rosto e olhos faiscando de malícia. Mas o que Kala viu era muito encantador, mais encantador mesmo do que a visão que ele tinha guardado em sua mente todos esses dias e noites de jornada, algo absolutamente estimulante e arrebatador em sua beleza, porque era o próprio Senhor Krishna.
Kala completamente embevecido, deixou seu esconderijo e aproximou-se cada vez mais do fascinante menino, irresistivelmente atraído pela beleza do que via e ouvia. E quando ele chegou bem perto, Krishna tirou a flauta dos lábios e sorriu para o pobre ladrão, tão ternamente que todo o corpo de Kala tiritava e estremecia de deleite. Krishna notou seu olhar e então falou, com uma voz que era tão encantadora e musical quanto todo o resto:
- Querido kala, você não queria algo de mim?
Kala não estava nem mesmo espantado de que o sedutor menino soubesse seu nome. Ele mal notou, porque um fluxo de vergonha intensa e dolorosa tomou conta dele quando, de repente, lembrou-se da intenção que o havia levado até lá. Logo a seguir, porém, apercebeu-se que Krishna sabia perfeitamente bem porque viera e que ele não estava zangado, apenas rindo dele. E Kala também, olhando para aqueles olhos, podia ver que tudo era gracejo.
- Querido menino, é verdade que vim para roubar suas jóias, mas isso foi antes de conhecê-lo. Pensei que queria ser rico, mas na verdade queria ter um amigo... agora que o vi, por que precisaria de dinheiro? Você é meu amigo, não é? – perguntou.
- É claro que sou seu amigo, e assim posso dar-lhe um presente. Apenas diga-me, o que gostaria de ter?
- Diga-me somente que posso vir aqui encontrá-lo quando quiser, olhar para você e às vezes ouvi-lo tocas sua música encantada; isso é tudo que quero, - disse Kala, com lágrimas nos olhos.

- Mas minhas jóias... você fez todo esse caminho para conseguir minhas jóias. Você não quer nada agora? – disse Krishna, olhando sério, mas com uma faísca travessa brilhando nos olhos.
- Guarde suas jóias... elas ficam tão bem em você! Apenas..., - Kala pausou como se pensasse em algo, - prometi ao Pandit, que me falou de você, que se o encontrasse, dar-lhe-ia alguma coisa. Se não fosse por ele, nunca o teria visto... talvez você pudesse me dar algo para ele? – perguntou Kala acanhadamente.
Krishna riu alto e tirou um dos seus braceletes de prata, lindo, engastado com uma bela esmeralda.
- Tome isto para o Pandit, - disse, - e é claro que você pode vir aqui me ver quando quiser. Venha até a este arvoredo qualquer manhã, debaixo desta árvore e me chame; prometo que virei.
- Querida criança, - disse Kala, sacudindo a cabeça, - mas você tem certeza de que está certo, sua mãe não vai brigar com você? O Pandit ficará muito feliz, é uma coisa linda...
- Talvez minha mãe ralhe comigo, mas logo a farei sorrir de novo, - disse Krishna com os olhos faiscando, - mas venha, vamos ao encontro dos outros... eles foram banhar as vacas!
Os pés de Kala pareciam ter asas enquanto ele corria de volta à aldeia onde deixara o Pandit. O pensamento de seu maravilhoso novo amigo e sua recém encontrada felicidade não deixava lugar para fraqueza ou fome, e ao passar, distraído, pelas aldeias no caminho, a gente se maravilhava com seu rosto brilhante e a luz que parecia acompanhá-lo. Todavia, foram três dias de jornada até que alcançasse a aldeia. O Pandit tinha terminado sua série de palestras e estava se preparando para partir, no dia seguinte, para o próximo estágio de sua jornada. Tarde da noite, ele ouviu uma forte batida na sua porta e, ao relutar em abri-la imediatamente, escutou chamarem:
- Panditji, Panditji, você está dormindo? Abra depressa, trouxe uma coisa para você.
Apesar de reconhecer a voz do ladrão, que ele esperava nunca mais ver, havia alguma coisa tranqüilizadora em seu tom e o homem não parecia que tivesse voltado para se vingar. Mais por curiosidade do que por outra coisa, o Pandit abriu a porta. Kala entrou como um pé de vento, os olhos luzindo e imediatamente ajoelhou-se e tocou os pés do Pandit:
- Obrigado, eu o encontrei, Panditji! Estou tão agradecido! Sem o senhor não o teria conhecido nunca! Ele é tão bondoso e encantador e maravilhoso, que o senhor não pode imaginar... que linda criança! E eu contei sobre o senhor, Pandit ji, e ele mandou-lhe isto! – e Kala tirou o precioso bracelete da cintura de seu traje em farrapos.
O Pandit teve que se sentar, de repente, perguntando incoerentemente:
- O que... quem... onde você foi... que aconteceu?
E Kala, rindo, encantado pela consternação do velho homem, teve de contar toda a história, justamente como tinha acontecido.
Podem imaginar como o Pandit teve dificuldade em acreditar no que ouvia. Ele era um homem educado e, apesar de toda sua devoção, sabia muito bem que o Krishna real havia vivido há milhares e milhares de anos atrás, lá longe no norte... e assim, o que era que este pobre sujeito esfarrapado estava balbuciando? E contudo... havia o bracelete, e aí estava Kala com seu rosto e voz transfigurados... O Pandit interogou-o, repetidamente:
- Onde você o viu? Como é que ele era? O que ele disse então? E o que fez em seguida? – e assim por diante.
Depois de muitas e muitas perguntas e das respostas simples e diretas de Kala, o velho disse por fim:
- E ele realmente prometeu-lhe que você o poderia encontrar quando quisesse? Então leve-me com você, amigo... vamos partir imediatamente. Toda minha vida tive vontade de vê-lo, mas nunca pensei que realmente acontecesse.
E ele teria partido imediatamente, sem mais delonga. Porém o pobre Kala estava exausto, depois de toda viagem, e não tinha se alimentado durante o caminho de volta, e ele implorou por algo para comer e uma noite de descanso antes de partirem outra vez. Contudo, a madrugada seguinte foram para a estrada... uma dupla estranha: o venerável Pandit, com sua veste branca impecável, e o abrutalhado Kala, em seus trapos desbotados, carregando o precioso volume que continha os livros do Pandit, alguns pertences e, agora também, o bracelete do Senhor. Enquanto eles andavam, Kala questionava o velho sobre Krishna e maravilhava-se com tudo que ele podia dizer sobre o surpreendente menino. E, em troca, o Pandit questionava Kala e pasmava-se com as coisas simples, convincentes, e ainda inacreditáveis, que ele dizia sobre o menino que lá encontrara. Assim, as milhas passaram facilmente, até que por fim chegaram, à noite, às margens do rio e, na orla da floresta, refrescaram-se e deitaram-se para dormir.
Antes do alvorecer, Kala acordou o Pandit:
- Agora ele virá... vamos para o arvoredo; você pode esperar junto dos espinheiros que eu o chamarei.
E de fato, quando Kala chamou, ouviram-se as notas suaves de uma flauta se aproximando através do ar enevoado da manhã, e Kala logo pôde ver seu amigo de pé, debaixo da árvore, tocando e piscando para ele.
- Querida criança, - disse, - espero que não se importe... trouxe o Panditji. Ele estava tão excitado ao receber seu presente, que quis lhe agradecer pessoalmente; ele já queria encontrá-lo há tanto tempo e conhece toda espécie de histórias a seu respeito. Você de fato fez todas aquelas coisas? Não importa, conte-me outro dia... Olhe, ele está esperando acolá. Posso chamá-lo?
- Eu posso vê-lo, - replicou Krishna sorrindo, - mas não acredito que, mesmo se o chamasse, ele fosse capaz de me ver, por enquanto. Ele não tem coração puro e a visão inocente. Contudo, você pode lhe dizer que estou esperando por ele, não o esqueci, e certamente ele me verá um dia.
E olhava ternamente para o velho, ainda de pé ao lado do espinheiro. O Pandit, atordoado, fitava Kala que parecia estar falando com o ar.
Todavia, ele podia ouvir a flauta. E mais tarde disse a Kala, quando se sentavam juntos na cabana simples que construíram ao lado do rio e que partilharam por vários anos, até a morte do velho homem:
- Compreendo muito bem... eu já era um homem educado quando li as histórias do Senhor; e apesar de ter desejado ardentemente em meu coração vê-lo e conhecê-lo, tinha também outros desejos e pensamentos em mim. Porém, desde o momento em que você ouviu falar sobre ele, não teve nenhum outro pensamento em sua mente, nenhum outro desejo em seu coração, a não ser ele. Foi sua Graça que se derramou sobre você.. Mas posso ouvir sua flauta na floresta todas as manhãs e você me diz como ele está e o que diz e faz com você, e ele prometeu que eu também vou vê-lo um dia, com meus próprios olhos. 

Observação:

Para que uma pessoa possa ter a misericórdia de poder ver e estar com Krishna, ela primeiramente tem que purificar sua existência e ter em seu coração o desejo intenso de amor puro por Deus, e só assim Krishna se manifestará diante de tal pessoa.

“E assim conclui-se este passatempo”

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publicado por Lalanesha Dasa às 23:56

Junho 13 2015

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Arjuna relacionava-se com o Senhor como amigo. É claro que há um abismo de diferença entre esta amizade e a amizade encontrada no mundo material. Esta amizade transcendental não é para qualquer um. É evidente que todos temos uma relação específica com o Senhor, e esta relação é instigada com a execução perfeita do serviço devocional. No nosso actual estado de vida, não apenas esquecemo-nos do Senhor Supremo, mas também esquecemo-nos de nossa relação eterna com Ele. Cada ser vivo, dentre os muitos, muitos bilhões e trilhões de seres vivos, tem uma relação específica com o Senhor eternamente. Isto se chama intercâmbio pessoal com o Senhor. Pelo processo do serviço devocional, pode-se reviver este intercâmbio, e nesta etapa alcança-se a perfeição da nossa posição constitucional. Arjuna era um devoto, e seu relacionamento com o Senhor Supremo era de pura amizade. 

1. Podemos ser um devoto em estado passivo;
2. Podemos ser um devoto em estado activo;
3. Podemos ser um devoto em amizade;
4. Podemos ser um devoto como pai e mãe;
5. Podemos ser um devoto como amante conjugal.

Deve-se notar como Arjuna aceitou as instruções dadas por Krishna no Bhagavad-Gita para que se possa seguir seu exemplo, e o modo como Arjuna aceitou esta mencionado da seguinte forma:

“Arjuna disse: Você é a Suprema Personalidade de Deus, a morada Suprema, o mais puro, a Verdade Absoluta. Você é a pessoa original, eterna e transcendental, o não-nascido, o maior. Todos os grandes sábios, mencionados nas escrituras Sagradas dos Vedas confirmam esta verdade referente a Você, e Você mesmo acaba de revelá-la para mim. Ó Krishna, aceito totalmente como verdade tudo o que Você me disse. Nem os semideuses, nem os demônios, ó Senhor, podem compreender Sua personalidade.”

Após ouvir a Suprema Personalidade de Deus falar o Bhagavad-Gita, Arjuna aceitou Krishna como o Espírito Supremo. Todo ser vivo é Espírito, mas o ser vivo Supremo, ou a Suprema Personalidade de Deus, é o Espírito Supremo. Krishna é o Supremo repouso ou a Suprema morada de tudo; Ele é puro, sem mácula de contaminação material; Ele é o desfrutador Supremo; Ele é, original; Ele é, transcendental; Ele é a Suprema Personalidade de Deus; o não-nascido; e o maior.

Então, alguém pode dizer que, como Krishna era seu amigo, Arjuna dizia-Lhe tudo isso para lisonjeá-lO, porém, com a intenção de dissipar este tipo de dúvida das mentes dos leitores do Bhagavad-Gita, Arjuna substancia tais exaltações, quando diz que Krishna é aceito como a Suprema Personalidade de Deus não só por ele, mas por todas as autoridades mencionadas nas Escrituras Sagradas dos Vedas. Estas grandes personalidades distribuem o conhecimento védico tal como é aceito por todos os grandes Mestres do Misticismo. Por isso, Arjuna diz a Krishna que aceita como inteiramente perfeito tudo o que Ele fala. “Aceito como verdade tudo o que Você diz”. Arjuna também diz que a personalidade do Senhor é muito difícil de entender, e que Ele não pode ser conhecido nem mesmo pelos grandes semideuses. Isto significa que o Senhor não pode ser conhecido nem mesmo por personalidades superiores aos seres humanos. Então, como pode um ser humano compreender o Senhor Shri Krishna sem tornar-se Seu devoto?

Portanto, o Bhagavad-Gita deve ser recebido num espírito de devoção. Ninguém deve ficar pensando que é igual a Krishna, tampouco deve-se pensar que Krishna é uma personalidade comum ou uma personalidade grandiosa. O Senhor Shri Krishna é a Suprema Personalidade de Deus. Assim, de acordo com as afirmações do Bhagavad-Gita ou as declarações de Arjuna, para alguém que esteja tentando compreender o Bhagavad-Gita, deve-se ao menos em teoria aceitar Shri Krishna como a Suprema Personalidade de Deus, e com este espírito submisso pode-se então compreender o Bhagavad-Gita. Quem não lê o Bhagavad-Gita como Ele É num espírito submisso terá muita dificuldade em compreender o Bhagavad-Gita, porque ele é um grande mistério.

O caminho dos princípios reguladores segundo as ordens da vida social e os diferentes métodos de religião talvez seja um caminho confidencial de conhecimento. Mas embora os rituais religiosos sejam confidenciais, a meditação e o cultivo de conhecimento são ainda mais confidenciais. E render-se a Krishna em serviço devocional em plena consciência de Krishna é a instrução mais confidencial. Esta é a essência de toda a mensagem através das instruções que Krishna da a Arjuna no Seu Bhagavad-Gita a canção do Senhor.

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publicado por Lalanesha Dasa às 18:29

Ofereço respeitosas reverências a meu Mestre Espiritual que, com o archote do conhecimento, abriu meus olhos que estavam cegos por causa da Ignorância!
Todos nós seres vivos, somos almas espirituais eternas, e, em contato com o mundo material, cada alma torna-se corporificada em um tipo de corpo particular, entre as 8.400.000 espécies de vida do universo material; Segundo a literatura Védica ...
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