*Sejam*Bem-Vindos* A Morada Suprema do Amor a Deus *

Dezembro 15 2011

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 Foi no início desta era, cerca de cinqüenta séculos atrás, que o Senhor Krishna falou o Bhagavad-gitã a Seu amigo e devoto Arjuna.

Um dos mais grandiosos diálogos filosóficos e religiosos que o homem conhece — aconteceram pouco antes do início de uma guerra, um grande conflito fratricida entre os cem filhos de Dhrtarãsta e, do lado oposto, seus primos, os Pãndavas, ou filhos de Pãndu.

Dhrtarãsta e Pãndu, irmãos nascidos na dinastia Kuru, eram descendentes do rei Bharata, um antigo governante da Terra, do qual provém o nome Mahãbhãrata. Porque Dhrtarãstra, o irmão mais velho, nascera cego, o trono que normalmente seria seu foi transferido para seu irmão mais novo, Pãndu.

Quando Pãndu morreu numa idade precoce, seus cinco filhos —Yudhisthira, Bhima, Arjuna, Nakula e Sahadeva — ficaram sob os cuidados de Dhṛtarãstra, que, de fato, tornou-se interinamente o rei. Assim, os filhos de Dhrtarãstra e os de Pãndu cresceram na mesma casa real. Ambos os grupos foram treinados nas artes militares pelo proficiente Droṇa e aconselhados pelo venerável “avô” do clã, Bhishma.

Entretanto, os filhos de Dhrtarãstra, especialmente o mais velho, Duryodhana, odiavam e invejavam os Pãndavas. E o cego e influenciável Dhrtarãstra queria que seus próprios filhos, e não os de Pãndu, herdassem o reino.

Assim Duryodhana, com o consentimento de Dhrtarastra, tramou matar os jovens filhos de Pãndu, e foi apenas devido à cuidadosa proteção que seu tio Vidura e seu primo o Senhor Krishna lhes deram, que os Pãndavas escaparam das muitas investidas feitas contra suas vidas.

Ora, o Senhor Krishna não era um homem comum, mas a própria Divindade Suprema, que havia descido à Terra e desempenhava a função de príncipe numa dinastia contemporânea. Neste papel, Ele também era sobrinho da esposa de Pãndu, Kunti, ou Prtha, a mãe dos Pãndavas. Assim, quer como parente, quer como o eterno defensor da religião, Kṛṣṇa favorecia e protegia os virtuosos filhos de Pāṇḍu.

Finalmente, porém, o astuto Duryodhana desafiou os Pāṇḍavas a participarem de um jogo. Durante aquela competição fatídica, Duryodhana e seus irmãos apossaram-se de Draupadi, a casta e devotada esposa dos Pãndavas, e insultuosamente tentaram despi-la diante de toda a assembléia de príncipes e reis. A intervenção divina de Krishna salvou-a, mas o jogo, que fora fraudulento, despojou os Pãndavas de seu reino e forçou-os a viver treze anos em exílio.

Ao voltarem do exílio, os Pãndavas, recorrendo a seus direitos, exigiram que Duryodhana lhes devolvesse o reino, mas ele recusou-se peremptoriamente a atender a esta ordem. Sendo eles príncipes cujo dever era servir na administração pública, os cinco Pāṇḍavas reduziram sua exigência, pedindo para ficarem apenas com cinco aldeias. Mas Duryodhana arrogantemente respondeu que não lhes cederia nem mesmo um punhado de terra onde conseguissem espetar um alfinete.

Durante todos esses incidentes, os Pāṇḍavas sempre foram tolerantes e pacientes. Mas agora a guerra parecia inevitável.

Todavia, à medida que os príncipes do mundo se dividiam, alguns aliando-se aos filhos de Dhrtarãstra, outros tomando o partido dos Pãndavas, o próprio Krishna aceitou ser o mensageiro dos filhos de Pãndu e foi à corte de Dhrtarãstra pleitear a paz. Depois que Suas propostas foram recusadas, a guerra tornou-se certa.

Os Pãndavas, homens da maior estatura moral, reconheciam Krishna como a Suprema Personalidade de Deus, ao passo que os ímpios filhos de Dhrtarãstra não tiveram essa mesma atitude. No entanto, Krishna estipulou que Sua participação na guerra seria conforme o desejo dos antagonistas. Como Deus, Ele não lutaria pessoalmente; mas quem o desejasse, poderia servir-se do exército de Krishna — e o outro lado poderia ter o próprio Krishna como conselheiro e ajudante. Duryodhana, o gênio político, preferiu as forças armadas de Krishna, enquanto que os Pãndavas ficaram ávidos de contar com o próprio Krishna.

Deste modo, Krishna tornou-Se o quadrigário de Arjuna, incumbindo-Se de dirigir a quadriga do famoso arqueiro. Isto nos leva ao ponto em que começa o Bhagavad-gita, com os dois exércitos enfileirados, prontos para o combate, e Dhrtarãstra perguntando ansiosamente a seu secretário Sãnjaya: “Que fizeram eles?”

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O espírito do Bhagavad-gita é mencionado no próprio Bhagavad-gita. Por exemplo, se quisermos tomar determinado remédio, temos de seguir as instruções contidas na bula. Não podemos tomar o remédio de acordo com nosso próprio capricho ou seguindo a instrução de um amigo. Devemos tomá-lo conforme as instruções da bula ou do médico. De modo semelhante, o Bhagavad-gita deve ser recebido ou aceito conforme as instruções de seu próprio orador. O orador do Bhagavad-gita é o Senhor Sree Krishna.

Portanto, o Bhagavad-gita deve ser recebido num espírito de devoção. Ninguém deve ficar pensando que é igual a Krishna, tampouco deve-se pensar que Krishna é uma personalidade comum ou quiçá uma personalidade grandiosa. O Senhor Sree Krishna é a Suprema Personalidade de Deus. Assim, de acordo com as afirmações do Bhagavad-gita ou as declarações de Arjuna, para alguém que esteja tentando compreender o Bhagavad-gita, deve-se ao menos em teoria aceitar Sree Krishna como a Suprema Personalidade de Deus, e com este espírito submisso poderemos então compreender o Bhagavad-gita. Quem não lê o Bhagavad-gita num espírito submisso terá muita dificuldade em compreender o Bhagavad-gita, porque ele é um grande mistério.

O que exatamente é o Bhagavad-gita? O Bhagavad-gita propõe-se a livrar a humanidade da ignorância contida na existência material. Cada um de nós anda às voltas com tantos obstáculos, assim como Arjuna tinha diante de si esta dificuldade de lutar na Batalha de Kurukshetra. Arjuna rendeu-se a Śrī Krishna, e em conseqüência este Bhagavad-gita foi falado. Não só Arjuna, mas cada um de nós, vive cheio de ansiedades devido à nossa existência material. Nossa própria existência está na atmosfera da não-existência. De fato, não estamos destinados às ameaças da não-existência. Nossa existência é eterna. Mas de um jeito ou de outro fomos postos em asat. Asat refere-se àquilo que não existe.

Dentre tantos seres humanos que estão sofrendo, poucos são os que realmente perguntam sobre sua posição, sobre quem são, por que estão nesta posição ingrata e assim por diante. Se a pessoa não despertar para esta plataforma na qual ela quer saber o porquê de seu sofrimento, se não se der conta de que não quer sofrer, mas sim encontrar uma solução para todo este sofrimento, ela não deve então ser considerada um ser humano perfeito. A raça humana começa quando este tipo de indagação desperta na mente.

Toda atividade do ser humano deve ser considerada um fracasso a não ser que ele indague sobre a natureza do Absoluto. Portanto, aqueles que perguntam porque estão sofrendo, de onde vieram e para onde irão após a morte são estudantes qualificados para entender o Bhagavad-gita. O estudante sincero deve também ter profundo respeito pela Suprema Personalidade de Deus. Arjuna era este tipo de estudante.

O Senhor Krishna advém especificamente para restabelecer o verdadeiro propósito da vida sempre que este propósito é esquecido por nós. Mesmo assim, dentre os muitos e muitos seres humanos que despertam, talvez haja um que realmente procure compreender sua posição, e para ele é falado este Bhagavad-gita. De fato, todos estamos sendo engolidos pelo tigre da ignorância, mas o Senhor tem muita misericórdia das entidades vivas, especialmente dos seres humanos. Foi por isso que Ele falou o Bhagavad-gita, fazendo do Seu amigo Arjuna Seu aluno.

Sendo um companheiro do Senhor Krishna, Arjuna estava acima de toda a ignorância, mas no Campo de Batalha de Kurukṣetra, Arjuna foi posto em ignorância só para perguntar ao Senhor Krishna sobre os problemas da vida, para que o Senhor pudesse explicá-los para o benefício das futuras gerações de seres humanos e assim traçar o plano de vida. A humanidade assim poderá agir de acordo com estes princípios e aperfeiçoar a missão da vida humana.

O assunto do Bhagavad-gita envolve a compreensão de cinco verdades básicas. Em primeiro lugar, explica-se a ciência de Deus e também a posição constitucional das entidades vivas.

Existe o controlador, e há as entidades vivas que são controladas. Se uma entidade viva diz que não é controlada mas sim, livre, então ela é doida. O ser vivo é controlado em todos os aspectos, pelo menos em sua vida condicionada.

O Bhagavad-gita então, descreve o controlador supremo, e as entidades vivas controladas. Também discute a natureza material e o tempo (a duração da existência de todo o Universo, ou da manifestação da natureza material) e karma (atividades). A manifestação cósmica está cheia de diferentes atividades. Todas as entidades vivas estão ocupadas em diversas atividades. Através do Bhagavad-gita devemos aprender o que é Deus, o que são as entidades vivas, o que é a natureza material, o que é a manifestação cósmica, como ela é controlada pelo tempo, e quais são as atividades das entidades vivas.

Dentre os cinco tópicos básicos, inseridos no Bhagavad-gita, fica comprovado que a Divindade Suprema, ou Krishna, ou o controlador supremo, é de todos o maior. Os seres vivos têm as mesmas qualidades do controlador supremo. Por exemplo, o Senhor tem o controle dos assuntos universais da natureza material, como será explicado nos capítulos posteriores do Bhagavad-gita. A natureza material não é independente. Ela age sob a direção do Senhor Supremo. Quando vemos fenômenos maravilhosos acontecendo na natureza cósmica, devemos saber que, por trás desta manifestação cósmica, há um controlador. Nada poderia manifestar-se se não houvesse controle. É infantilidade não levar em conta a presença do controlador. Por exemplo, uma criança pode achar que um automóvel seja realmente maravilhoso, capaz de correr sem ser puxado por um cavalo ou um outro animal, mas um adulto são, sabe sobre a engenharia mecânica do automóvel. Ele sempre sabe que por trás da máquina há um homem, um motorista. De modo semelhante, o Senhor Supremo é o motorista sob cuja direção tudo funciona. O fato é que as  entidades vivas, são aceitas pelo Senhor como Suas partes integrantes. Uma partícula de ouro também é ouro, uma gota dágua do oceano também é salgada, e da mesma maneira, nós, as entidades vivas, sendo partes integrantes do controlador supremo, o Senhor Sree Krishna, temos em quantidade diminuta todas as qualidades do Senhor Supremo porque somos diminutos, subordinados. Estamos tentando controlar a natureza, e temos esta tendência de controlar, porque ela existe em Krishna. Porém, embora tenhamos a tendência de dominar a natureza material, devemos saber que não somos o controlador supremo. Isto é explicado no Bhagavad-gita.

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A própria natureza material é constituída por três qualidades: o modo da bondade, o modo da paixão e o modo da ignorância. Acima destes modos, há o tempo eterno, e através da combinação destes modos da natureza e sob o controle e jurisdição do tempo eterno, existem as atividades que são chamadas karma. Essas atividades vêm sendo realizadas desde tempos imemoriais, e sofremos ou gozamos dos frutos de nossas atividades. Por exemplo, suponha que eu seja um homem de negócios e tenha usado minha inteligência trabalhando arduamente para conseguir um grande saldo bancário. Então, sou o desfrutador. Mas digamos então que eu tenha perdido todo o dinheiro nos negócios; então, sou o sofredor. Do mesmo modo, em cada esfera da vida gozamos ou sofremos os resultados de nosso trabalho. Isto se chama karma.

o Senhor Supremo, a entidade viva, a natureza, o tempo eterno e karma (atividades) são todos explicados no Bhagavad-gitã.

Destes cinco, o Senhor, as entidades vivas, a natureza material e o tempo, são eternos, porém o karma, ( atividades ) não é eterno. De fato, os efeitos do karma podem ser bem antigos. Desde tempos imemoriais, estamos sofrendo ou desfrutando os resultados de nossas atividades, mas podemos modificar os resultados do nosso karma, ou de nossas atividades, e esta modificação depende da perfeição de nosso conhecimento. Estamos ocupados em várias atividades. Evidentemente, não sabemos que tipo de atividades devemos adotar para aliviarmo-nos das ações e reações de todas essas atividades, mas isto também se explica no Bhagavad-gita.

Verificaremos, portanto, no Bhagavad-gita como Ele É, que o todo completo é formado pelo controlador supremo, pelas entidades vivas controladas, pela manifestação cósmica, pelo tempo eterno e pelo karma, ou atividades, todos os quais são explicados. Tomados em conjunto, todos eles formam o todo completo, e o todo completo é chamado de Suprema Verdade Absoluta. O todo completo e a Verdade Absoluta completa são a Personalidade de Deus completa, Sree Krishna. Todas as manifestações devem-se à Suas diferentes energias. Ele é o todo completo.

Como o Bhagavad-gita como Ele É é falado pela Suprema Personalidade de Deus, não é preciso ler nenhum outro texto védico. Precisa-se apenas ouvir e ler atenta e regularmente o Bhagavad-gita. Nesta era atual, as pessoas vivem tão absortas em atividades mundanas que não lhes é possível ler todos os textos védicos. Mas não é mesmo necessário. Este único livro, o Bhagavad-gita como Ele É bastará, porque ele é a essência de todos os textos védicos e especialmente porque é falado pela Suprema Personalidade de Deus.

publicado por Lalanesha Dasa às 08:46

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