*Sejam*Bem-Vindos* A Morada Suprema do Amor a Deus *

Março 15 2013

A entidade viva sujeita-se a três graus de encobrimento que obscurece sua consciência pura. Esta cobertura não passa de luxúria sob diferentes manifestações, como a fumaça no fogo, o pó no espelho e o ventre ao redor do embrião. Quando se compara a luxúria à fumaça, entende-se que é possível perceber um pouco do fogo da centelha viva. Em outras palavras, ao manifestar levemente sua consciência de Krishna, a entidade viva pode ser comparada ao fogo coberto pela fumaça. Embora haja fogo onde há fumaça, na fase inicial não ocorre uma evidente manifestação do fogo. Esta fase equivale ao início da consciência de Krishna. O pó no espelho refere-se ao processo que consiste em limpar o espelho da mente por meio de tantos métodos espirituais. O melhor processo é cantar os santos nomes do Senhor. O embrião coberto pelo ventre é uma analogia que ilustra uma posição desamparada, pois a criança no ventre está tão desamparada que não pode sequer mexer-se. Esta etapa de condição de vida pode ser comparada à das árvores. As árvores também são entidades vivas, mas foram colocadas na actual condição de vida devido à luxúria intensa que as torna praticamente desprovidas de toda a consciência. O espelho empoeirado é comparado às aves e animais, e o fogo coberto pela fumaça é comparado ao ser humano. Sob a forma humana, a entidade viva pode reviver alguma consciência de Krishna, e, se continuar a progredir, o fogo da vida espiritual poderá acender-se na forma de vida humana. Pelo cuidadoso manuseio da fumaça no fogo, pode-se fazer o fogo pegar. Portanto, a forma de vida humana é uma oportunidade que a entidade viva recebe para escapar ao enredamento da existência material. Na forma de vida humana, pode-se derrotar o inimigo, a luxúria, pelo cultivo da consciência de Krishna sob uma orientação competente.

 

Assim, a consciência pura da entidade viva sábia é coberta por seu eterno inimigo sob a forma de luxúria, que nunca é satisfeita e queima como o fogo.

No conhecimento Espiritual das escrituras Sagradas dos Vedas afirma-se que não se pode satisfazer a luxúria por maior que seja a quantidade de gozo dos sentidos, assim como ninguém apaga um fogo fornecendo-lhe um suprimento constante de combustível. No mundo material, o centro de todas as actividades é o sexo, e por isso este mundo material é chamado de as algemas da vida sexual. Na prisão habitual, os criminosos são mantidos atrás das grades, de modo semelhante, os criminosos que desobedecem às leis do Senhor estão acorrentados à vida sexual. O progresso da civilização material com base no gozo dos sentidos significa aumentar a duração da existência material da entidade viva. Portanto, esta luxúria é o símbolo da ignorância que mantém a entidade viva dentro do mundo material. Talvez haja algum sentimento de felicidade enquanto a pessoa desfruta o prazer dos sentidos, mas na verdade este aparente sentimento de felicidade acaba sendo o inimigo daquele que desfruta dos sentidos.

Os sentidos, a mente e a inteligência são os lugares de assento para esta luxúria. Através deles, a luxúria confunde o ser vivo e obscurece o verdadeiro conhecimento que ele possui.

O inimigo capturou diferentes posições estratégicas no corpo da alma condicionada, e portanto o Senhor Krishna indica aqui quais são esses lugares, para que quem quiser vencer este inimigo possa saber onde encontrá-lo. A mente é o centro de todas as actividades dos sentidos, e assim quando ouvimos falar sobre os objectos dos sentidos a mente geralmente torna-se um poço de idéias para o prazer dos sentidos; e como resultado, a mente e os sentidos tornam-se os repositórios da luxúria. Em seguida, o departamento da inteligência torna-se a capital das propensões luxuriosas. A inteligência é o vizinho contíguo da alma espiritual. A inteligência luxuriosa influencia a alma espiritual a adquirir o falso ego e a identificar-se com a matéria e aí com a mente e então com os sentidos. A alma espiritual vicia-se em desfrutar dos sentidos materiais e erroneamente aceita isso como verdadeira felicidade. A seguir explica-se muito bem esta falsa identificação a que se submete a alma espiritual:

“O ser humano que identifica este corpo feito dos três elementos com o seu eu, que considera como seus parentes os subprodutos do corpo, que considera adorável a sua terra natal, e que vai aos lugares de peregrinação só para tomar banho, deixando de encontrar-se com homens de conhecimento transcendental, deve ser tido como um asno ou uma vaca.”

Portanto Krishna nos instrui dizendo que devemos desde o início, refrear este grande símbolo de pecado (a luxúria), regulando os sentidos, e aniquilar este destruidor do conhecimento e da auto-realização.

O Senhor nos aconselha que devemos passar a regular os sentidos desde o começo, a fim de que possamos refrear o inimigo mais pecaminoso, a luxúria, que destrói o impulso para a auto-realização e para o conhecimento específico do eu. E sobre isso recebe-se dos ensinamentos da consciência de Krishna a seguinte explicação:

“O conhecimento do eu e do Eu Supremo é muito confidencial e misterioso, mas esse conhecimento e sua percepção específica podem ser compreendidos se explicados em seus vários aspectos pelo próprio Senhor.” 

OBhagavad-gitã nos brinda com este conhecimento geral e específico acerca do eu. As entidades vivas são partes integrantes do Senhor, e portanto destinam-se apenas a servir ao Senhor. Esta consciência chama-se consciência de Krishna. Logo, desde o início da vida devemos procurar aprender esta consciência de Krishna, e assim poderemos nos tornar plenamente conscientes de Krishna e agir de modo condizente.

A luxúria é apenas o reflexo pervertido do amor a Deus, que é natural a todo ser vivo. Mas se desde o início alguém for educado em consciência de Krishna, este amor natural a Deus não poderá deteriorar-se em luxúria. Quando o amor a Deus se deteriora em luxúria, é muito difícil voltar à condição normal. Todavia, a consciência de Krishna é tão potente que mesmo quem demorou a entrar em contacto com ela pode tornar-se um amante de Deus caso siga os princípios reguladores do serviço devocional. Assim, em qualquer fase da vida, ou a partir do momento em que compreendeu a necessidade premente de aceitar essa consciência, a pessoa pode começar a regular os sentidos em consciência de Krishna, no serviço devocional ao Senhor, e transformar a luxúria em amor ao Supremo — a mais elevada fase de perfeição da vida humana.

Portanto devemos compreender que os sentidos funcionais são superiores à matéria bruta; a mente é superior aos sentidos; por sua vez, a inteligência é mais elevada do que a mente; e ela (a alma) é superior à inteligência.

Os sentidos são os diversos escapes para as actividades da luxúria. A luxúria fica retida dentro do corpo, mas ela consegue escapulir através dos sentidos. Portanto, os sentidos são superiores ao corpo como um todo. Estes escapes não são usados quando existe consciência superior, ou consciência de Krishna. Em consciência de Krishna, a alma faz conexão direta com a Suprema Personalidade de Deus; portanto, a hierarquia das funções corporais, como é descrita aqui, termina na Alma Suprema. Ação corpórea significa as funções dos sentidos, e parar os sentidos significa parar todas as acções corpóreas. Mas já que a mente é activa, então, mesmo que o corpo fique em silêncio e em repouso, a mente agirá — como acontece durante o sonho. Mas acima da mente está a determinação da inteligência, e acima da inteligência está a própria alma. Se, portanto, a alma estiver directamente ocupada com o Supremo, é óbvio que todos os outros subordinados, a saber, a inteligência, a mente e os sentidos, adotarão essa mesma actividade. Há uma passagem semelhante nos textos Sagrados Védicos, que diz que os objetos de gozo dos sentidos são superiores aos sentidos, e a mente é superior aos objetos dos sentidos. Se, portanto, a mente se ocupar em serviço directo e constante ao Senhor, então não há possibilidade de os sentidos adotarem outras ocupações. Se a mente se ocupar no serviço transcendental ao Senhor, não haverá possibilidade de ela ocupar-se nas propensões inferiores. Nesses mesmos textos Sagrados do Vedas se afirma que a alma é descrita como sendo grande. Portanto, a alma está acima de tudo — a saber, dos objectos dos sentidos, dos sentidos, da mente e da inteligência. Por conseguinte, compreender directamente a posição constitucional da alma é a solução de todo o problema.

Com a inteligência, devemos procurar descobrir qual é a posição constitucional da alma e então, sempre ocuparmos a mente em consciência de Krishna. Isto resolve todo o problema. De um modo geral, o espiritualista neófito é aconselhado a manter-se afastado dos objectos dos sentidos. Ademais, temos de fortificar a mente com o uso da inteligência. Se através da inteligência ocupamos a mente em consciência de Kṛṣṇa, rendendo-nos por completo à Suprema Personalidade de Deus, então, é muito natural que a mente se torne mais forte, muito embora os sentidos sejam muito fortes; como serpentes, eles não serão mais eficazes do que serpentes cujas presas foram quebradas. Mas embora a alma seja a dona da inteligência, da mente, e dos sentidos também, mesmo assim, se ela não se fortalecer através da associação com Krishna em consciência de Krishna, há sempre a possibilidade de uma queda devido à agitação da mente. 

Assim, sabendo que a alma é transcendental aos sentidos, à mente e à inteligência materiais, a pessoa deve equilibrar a mente por meio de deliberada inteligência espiritual (consciência de Krishna) e assim — pela força espiritual — vencer este inimigo insaciável conhecido como luxúria.

Na forma de existência material, decerto nos influenciamos pelas propensões à luxúria e pelo desejo de assenhorear-nos dos recursos da natureza material. O desejo de dominar e de desfrutar os sentidos é o maior inimigo da alma condicionada; porém, pela força da consciência de Krishna, podem-se controlar os sentidos, a mente e a inteligência materiais. Ninguém pode abandonar de repente o trabalho e os deveres prescritos; mas desenvolvendo aos poucos a consciência de Krishna, pode-se chegar a uma posição transcendental sem a influência dos sentidos e da mente materiais — por meio da inteligência equilibrada dirigida à sua identidade pura. Na fase imatura da existência material, as especulações filosóficas e as tentativas artificiais de controlar os sentidos por meio da prática simulada de posturas ióguicas jamais poderão ajudar o homem a seguir rumo à vida espiritual. Sendo assim, todo aquele que almeja conquistar o verdadeiro conhecimento que certamente nos libertará das garras da luxúria, deve ser treinado em consciência de Krishna por intermédio de uma inteligência superior.


publicado por Lalanesha Dasa às 19:44

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