*Sejam*Bem-Vindos* A Morada Suprema do Amor a Deus *

Abril 24 2013

 Entre as manifestações criadas, a primeira é a criação da totalidade dos elementos materiais. A totalidade da substância material, chamada Espírito, é a fonte do nascimento, e é nesse Espírito que Deus fecunda a natureza, possibilitando os nascimentos de todos os seres vivos. Esta é uma maneira de explicar o mundo: tudo o que acontece deve-se à combinação do corpo e a alma espiritual. O próprio Deus Supremo torna possível esta combinação da natureza material e da entidade viva. Todos os vinte e quatro elementos, começando por terra, água, fogo e ar, são energia material, e constituem o que se chama o grande Espírito a natureza material. Pela vontade da Suprema Personalidade de Deus, a natureza superior entra em contacto com a natureza material, e depois todas as entidades vivas nascem desta natureza material. 

O escorpião põe seus ovos em montes de arroz, e às vezes se diz que o escorpião nasce do arroz. Mas o arroz não é a causa do escorpião. Na verdade, os ovos foram postos pela mãe. De modo semelhante, a natureza material não é a causa do nascimento das entidades vivas. A semente é dada pela Suprema Personalidade de Deus, e tem-se a impressão de que elas surgem como produtos da natureza material. Assim, cada entidade viva, conforme suas actividades passadas, tem um corpo diferente, criado por esta natureza material, de modo que a entidade possa gozar ou sofrer segundo seus actos passados. O Senhor é a causa de todas as manifestações de entidades vivas neste mundo material.

Explica-se claramente que a Suprema Personalidade de Deus, Krishna, é o pai do qual se originam todas as entidades vivas, as quais são combinações da natureza material e da natureza espiritual. Essas entidades vivas existem não só neste planeta, mas em todos os planetas.  Em toda a parte há entidades vivas; dentro da terra há entidades vivas, e mesmo dentro da água e do fogo. Todos estes aparecimentos devem-se à mãe, a natureza material, e ao processo através do qual Krishna dá a semente. O significado é que o mundo material é fecundado com entidades vivas que, no momento da criação, surgem em várias formas segundo suas acções passadas.

A natureza material consiste em três modos — bondade, paixão e ignorância. Ao entrar em contato com a natureza,  a entidade viva eterna é condicionada por esses modos.

Porque é transcendental, a entidade viva nada tem a ver com esta natureza material. Mesmo assim, por se condicionar ao mundo material, ela age sob o encanto dos três modos da natureza material. Porque as entidades vivas têm diferentes espécies de corpos proporcionados pelos diferentes aspectos da natureza, elas são induzidas a agir de acordo com esta natureza. Esta é a causa das muitas variedades de felicidade e sofrimento.

As entidades vivas condicionadas à natureza material são de várias categorias. Alguém pode ser feliz, outrem, muito activo, mas há outro que se sente desamparado. Todos estes tipos de manifestações psicológicas são a causa da posição condicionada das entidades na natureza. No Bhagavad-Gitã, explica-se como elas se condicionam de maneira diferente. Primeiramente, tecem-se comentários sobre o modo da bondade. No mundo material, quem desenvolve o modo da bondade acaba se tornando mais sábio do que aqueles condicionados a outras circunstâncias. Um homem no modo da bondade não é tão afectado pelas misérias materiais, e ele sente o avanço em conhecimento material. A figura representativa é o brāhmaṇa, (MONGE) que se supõe estar situado no modo da bondade. Esta sensação de felicidade deve-se à compreensão de que, no modo da bondade, a pessoa está mais ou menos livre de reacções pecaminosas. Na verdade, na literatura védica se diz que o modo da bondade significa maior conhecimento e uma maior sensação de felicidade.

O problema é que, quando se situa no modo da bondade, o ser vivo fica induzido a sentir que é avançado em conhecimento e que é melhor do que os outros. Dessa maneira, ele se condiciona. Os melhores exemplos são o cientista e o filósofo. Cada qual tem muito orgulho de seu conhecimento, e porque em geral melhoram suas condições de vida, eles sentem uma espécie de felicidade material. Na vida condicionada, esta sensação de felicidade superior deixa-os atados ao modo da bondade da natureza material. Nesse caso, eles ficam atraídos a trabalhar no modo da bondade, e, enquanto sentem atracção para essa espécie de trabalho, eles devem aceitar algum dos corpos oferecidos pelos modos da natureza. Assim, não há possibilidade de liberação, ou de sua transferência para o mundo espiritual. Repetidas vezes, a pessoa pode tornar-se um filósofo, um cientista, ou um poeta, e repetidas vezes envolver-se com as mesmas condições desfavoráveis apresentadas sob a forma de nascimentos e mortes. Porém, devido à ilusão que a energia material lhe impõe, o homem pensa que esta espécie de vida é agradável.

O modo da paixão caracteriza-se pela atracção entre homem e mulher. A mulher sente atração pelo homem, e o homem sente atracção pela mulher. Isto se chama modo da paixão. E quanto maior o modo da paixão, maior o anseio pelo prazer material. Deseja-se, então, obter gozo dos sentidos. Na busca pelo prazer dos sentidos, um homem no modo da paixão deseja alguma honraria social ou nacional, e quer ter uma família feliz, com belos filhos, esposa e casa. Estes são os produtos do modo da paixão. Enquanto desejarmos essas conquistas, teremos de trabalhar mui arduamente. Portanto, aqui se afirma com bastante clareza que o ser vivo se envolve com os frutos de suas actividades e assim se prende a essas actividades. A fim de agradar sua esposa, filhos e a sociedade e para manter seu prestígio, ele tem que trabalhar. Por isso, todo o mundo material está mais ou menos no modo da paixão. O avanço da civilização moderna é medido de acordo com seu envolvimento com o modo da paixão. Outrora, tomava-se como referência o modo da bondade. Se nem mesmo aqueles que estão no modo da bondade conseguem liberar-se, que dizer daqueles que estão enredados no modo da paixão?

O modo da ignorância é exatamente o oposto do modo da bondade. No modo da bondade, pelo desenvolvimento de conhecimento, pode-se compreender o porquê das coisas, mas o modo da ignorância é exatamente o oposto. Todo aquele que está sob o encanto do modo da ignorância fica louco, e um louco não pode compreender o porquê das coisas. Ao invés de progredir, ele se degrada. Sob o encanto da ignorância, não se pode compreender a verdadeira essência das coisas. Por exemplo, qualquer um pode ver que seu avô morreu e que, portanto, também morrerá; o homem é mortal. Os filhos que ele concebe também morrerão. Logo, a morte é certa. Mesmo assim, as pessoas acumulam dinheiro de maneira desenfreada e trabalham arduamente noite e dia, sem darem a menor importância ao espírito eterno. Isto é loucura. Em sua loucura, elas relutam muito em progredir na compreensão espiritual. Tais pessoas são muito preguiçosas. Elas não se interessam muito quando são convidadas a buscar associação com quem possa lhes dar compreensão espiritual. Elas nem mesmo são activas como o homem que está sob o controle do modo da paixão. Assim, outro sintoma de alguém soterrado no modo da ignorância é que ele dorme mais do que o necessário. Seis horas de sono são suficientes, mas um homem no modo da ignorância dorme pelo menos dez ou doze horas por dia. Um homem assim parece estar sempre abatido e é viciado em drogas e em dormir. Estes são os sintomas de uma pessoa condicionada ao modo da ignorância.

Concluindo;

 Quem está no modo da bondade se satisfaz com seu trabalho ou com sua actividade intelectual, assim como um filósofo, cientista ou educador podem se ocupar num determinado campo de conhecimento e ficar satisfeitos com isso. Um homem no modo da paixão pode estar ocupado em actividade fruitiva, possui tanto quanto pode, e gasta em prol de boas causas. Às vezes, ele tenta abrir hospitais, fazer doações para instituições de caridade, etc. Estes sinais são de alguém no modo da paixão. E o modo da ignorância cobre o conhecimento. No modo da ignorância, nada que alguém faça é bom para si mesmo nem para ninguém.

Como a civilização actual não tem muita simpatia pelas entidades vivas, recomenda-se o processo de consciência de Krishna. Através da consciência de Krishna, a sociedade desenvolverá o modo da bondade. Quando se desenvolver o modo da bondade, as pessoas verão as coisas em sua verdadeira perspectiva. No modo da ignorância, elas são exactamente como animais e não podem ver com clareza. No modo da ignorância, por exemplo, elas não vêem que, matando um animal, estão assumindo o risco de serem mortas pelo mesmo animal na vida seguinte. Porque não se educam com o verdadeiro conhecimento, as pessoas se tornam irresponsáveis. Para acabar com esta irresponsabilidade, deve haver educação para que se desenvolva o modo da bondade nas pessoas em geral. Quando estiverem realmente educadas no modo da bondade, elas se tornarão sóbrias, e terão pleno e autêntico conhecimento das coisas. Então, serão felizes e prósperas. Mesmo que a maioria das pessoas não seja feliz e próspera, se uma determinada porcentagem da população desenvolver a consciência de Krishna e se situar no modo da bondade, então será possível que o mundo inteiro obtenha paz e prosperidade. Caso contrário, se o mundo se dedicar aos modos da paixão e ignorância, não poderá haver paz nem prosperidade. No modo da paixão, as pessoas se tornam cobiçosas, e seu desejo de satisfazer os sentidos não tem limites. Nesse caso, pode-se ver que mesmo que se tenha bastante dinheiro e condições favoráveis ao prazer dos sentidos, não há felicidade nem paz de espírito. Isto não é possível, porque se está no modo da paixão. Se alguém realmente quiser a felicidade, seu dinheiro não o ajudará; ele tem que se elevar ao modo da bondade, praticando a consciência de Krishna. Quando está ocupado no modo da paixão, ele não só é mentalmente infeliz, mas também sua profissão e ocupação são muito penosas. Ele tem de traçar muitos planos e projectos para conseguir bastante dinheiro a fim de manter seu status quo. Tudo isto é miserável. No modo da ignorância, as pessoas ficam loucas. Estando aflitas com o ambiente em que vivem, elas se refugiam nas drogas, e com isso se afundam mais e mais na ignorância. Sua vida tem um futuro muito tenebroso.

O modo da paixão é misto. Ele é intermediário, entre os modos da bondade e da ignorância. O homem não está sempre puro. Porém, mesmo que estivesse exclusivamente no modo da paixão, ele apenas permaneceria nesta Terra como rei ou homem rico. Mas porque há misturas, ele também pode descer. Nesta Terra, as pessoas no modo da paixão ou da ignorância não podem valer-se de máquinas para aproximarem-se à força dos planetas superiores. No modo da paixão, há também a possibilidade de se tornar louco na próxima vida.

Aqui se descreve como abominável a qualidade mais baixa, o modo da ignorância. O resultado de desenvolver a ignorância é muitíssimo arriscado. É a qualidade mais baixa na natureza material. Abaixo do nível humano existem oito milhões de espécies de vida — aves, animais ferozes, répteis, árvores, etc. — e, segundo o seu envolvimento com o modo da ignorância, as pessoas são arrastadas para estas condições abomináveis. Há a oportunidade de os homens no modo da ignorância e paixão elevarem-se ao modo da bondade, e este sistema chama-se consciência de Krishna. Mas quem não tirar proveito desta oportunidade com certeza continuará nos modos inferiores.

 Podemos transcender todas as actividades dos modos da natureza material só por obter a devida compreensão transmitida pelas almas qualificadas. O verdadeiro mestre espiritual é Krishna, e Ele está dando este conhecimento espiritual. De modo semelhante, é com aqueles que estão em plena consciência de Krishna que se deve aprender esta ciência das actividades relacionadas com os modos da natureza. Senão, nossa vida seguirá um rumo errado. Através da instrução transmitida pelo mestre espiritual genuíno, o ser vivo pode conhecer sua posição espiritual, seu corpo material, seus sentidos, seu aprisionamento e sua posição sob o encanto dos modos da natureza material. Nas garras destes modos ele fica desamparado, mas quando consegue ver sua verdadeira posição, ele então pode alcançar a plataforma transcendental, pois tem como objectivo a vida espiritual. De fato, este ser vivo não é o autor das diferentes actividades. Ele é forçado a agir porque está situado numa determinada espécie de corpo, conduzido por algum modo específico da natureza material. Enquanto não receber a ajuda de uma autoridade espiritual, ele não poderá compreender em que posição está situado de fato. Com a associação de um mestre espiritual genuíno, ele pode ver sua verdadeira posição, e com essa compreensão pode se fixar em plena consciência de Krishna. Um homem em consciência de Krishna não se deixa controlar pelo encanto dos modos da natureza material.

A seguir Krishna diz;

Quando é capaz de transcender estes três modos associados com o corpo material, o ser encarnado pode liberar-se do nascimento, da morte, da velhice e dos sofrimentos que são inerentes a eles, e mesmo nesta vida pode gozar o néctar.

 Embora alguém esteja dentro deste corpo material, através de seu progresso em conhecimento espiritual, ele poderá se livrar da influência dos modos da natureza. Mesmo neste corpo, ele poderá gozar a felicidade espiritual, porque, após deixar este corpo irá com certeza para o céu espiritual. Mas mesmo neste corpo ele pode gozar de felicidade espiritual. Em outras palavras, o serviço devocional em consciência de Krishna significa libertar-se do enredamento material.

publicado por Lalanesha Dasa às 22:14

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