*Sejam*Bem-Vindos* A Morada Suprema do Amor a Deus *

Abril 18 2013

 

Todas as manifestações cósmicas, móveis e inertes, afloram em consequência das diferentes actividades da energia de Krishna. Na existência material, criamos diferentes relacionamentos com diferentes entidades vivas que não passam de energia marginal de Krishna; sob a acção de Sua energia,  algumas delas aparecem como nosso pai, mãe, avô, criador, etc., mas na verdade são partes integrantes de Krishna. Nesse caso, estas entidades vivas que parecem ser nosso pai, mãe, etc. são exactamente Krishna. A palavra sustentador significa “criador”. Não apenas nosso pai e mãe são partes integrantes de Krishna, mas o criador, o avô e a avó, etc., também são Krishna. De fato, qualquer entidade viva, sendo parte integrante de Krishna, é Krishna. Todos os Vedas, portanto, têm como objetivo apenas Krishna. Todo o conhecimento que conseguimos extrair dos Vedas é apenas um passo progressivo que nos leva a compreendermos Krishna. Aquele tema que nos ajuda a purificar nossa posição constitucional é especialmente Krishna. Da mesma maneira, a entidade viva que tem curiosidade para compreender todos os princípios védicos é também parte integrante de Krishna e nesse caso também é Krishna. Em todos os mantras védicos, a palavra OMé uma vibração sonora transcendental e também é Krishna. A meta última é Krishna, embora as pessoas não saibam disso. Quem não conhece Krishna segue a trilha errada, e sua marcha aparentemente progressiva é parcial ou alucinatória. Aproximar-se das diferentes energias de Krishna é aproximar-se de Krishna de maneira indirecta. Todos devem aproximar-se de Krishna diretamente, pois isso poupará tempo e energia. Por exemplo, se existe a possibilidade de subir ao topo de um edifício com o auxílio de um elevador, por que alguém iria pelas escadas, degrau por degrau? Tudo repousa na energia de Krishna; portanto, sem o refúgio em Krishna nada pode existir. Krishna é o governante supremo porque tudo Lhe pertence e tudo existe em Sua energia. Krishna, estando situado nos corações de todos, é a testemunha suprema. As residências, regiões ou planetas em que vivemos também são Krishna. Krishna é o abrigo final, e portanto todos devem abrigar-se em Krishna, seja para protecção, seja para mitigar suas misérias. E sempre que tivermos que aceitar protecção, é bom sabermos que nossa protecção deve ser uma força viva. Krishna é a entidade viva suprema. E como Krishna é a fonte da qual somos gerados, ou o pai supremo, ninguém pode ser um melhor amigo do que Krishna, nem tampouco pode alguém ser um melhor benquerente. Krishna é a fonte que origina a criação e o repouso último após a aniquilação. Krishna é, portanto, a eterna causa de todas as causas. 

Krishna fornece calor e retem o envio da chuva. Krishna é a imortalidade e também a morte personificada. Tanto o espírito quanto a matéria estão em Krishna.

Krishna, através de Suas diferentes energias, difunde calor e luz através da eletricidade e do Sol. Durante o verão, é Krishna quem impede a chuva de cair do céu, e depois, durante a estação das chuvas, Ele envia incessantes torrentes de chuva. A energia que nos sustenta, prolongando a duração de nossas vidas, é Krishna, e no final Krishna vem até nós como a morte. Analisando todas estas diferentes energias de Krishna, pode-se verificar que para Krishna não há distinção entre matéria e espírito, ou, em outras palavras, Ele é tanto matéria quanto espírito. Na fase adiantada da consciência de Krishna, portanto, não se fazem tais distinções, pois se vê Krishna em tudo.


publicado por Lalanesha Dasa às 21:41

Abril 17 2013

A finalidade de praticar a yoga, é controlar a mente a fim de fazer dela uma aliada no cumprimento da missão humana. Se a mente não for controlada, a prática de yoga (para exibição) é mera perda de tempo. Quem não pode controlar a mente vive sempre com o maior inimigo, e assim arruína sua vida e a sua missão na vida . A posição constitucional do ser vivo é executar ordens superiores. Enquanto sua mente continuar um inimigo imbatível, ele terá de servir aos ditames da luxúria, ira, avareza, ilusão, etc. Mas quando conquista a mente, ele, por sua própria vontade, acata a ordem da Personalidade de Deus, que está situado no coração de todos. A verdadeira prática de yoga consiste em ver o Senhor dentro do coração e então seguir Suas ordens. Para quem adota directamente a consciência de Krishna, a rendição perfeita às determinações impostas pelo Senhor é algo que advém com muita naturalidade. 

Quem conquistou a mente já alcançou a a misericórdia do Senhor, pois vive com tranquilidade. Para ele, felicidade e tristeza, calor e frio, honra e desonra são a mesma coisa.

Na verdade, cada ser vivo é obrigado a acatar as ordens da Suprema Personalidade de Deus, que está situado no coração de todos. Quando a mente se deixa arrastar pela energia externa e ilusória, a pessoa fica enredada em actividades materiais. Portanto, logo que a mente é controlada através de um dos sistemas de yoga, deve-se considerar que a pessoa já alcançou o seu destino. Todos devem acatar as ordens superiores. Quando a mente de alguém se fixa na natureza superior, tudo o que lhe resta é seguir as determinações impostas pelo Supremo. A mente deve aceitar e seguir a uma ordem superior. O efeito consequente do controle da mente, é o acatamento automática das ordens do Senhor. Porque esta posição transcendental é de imediato atingida por alguém que esteja em consciência de Krishna, o devoto do Senhor não é afectado pelas dualidades da existência material, a saber, tristeza e felicidade, frio e calor, etc. Este é o estado de samadhi vivido na prática, ou a absorção no Supremo.

Diz-se que alguém está estabelecido em auto-realização e se chama um yogue (ou místico), quando está plenamente satisfeito em virtude do conhecimento e da percepção adquiridos. Ele está situado na transcendência, e é auto-controlado. Ele vê tudo — sejam seixos, pedras ou ouro — com igualdade.

 Ter conhecimento teórico sem percepção da Verdade Suprema é inútil. Quanto a isto, faz-se a seguinte afirmação:

“Através dos sentidos materialmente contaminados, ninguém pode compreender a natureza transcendental do nome, forma, qualidade e passatempos de Krishna. Só quando alguém se torna espiritualmente impregnado com o serviço transcendental ao Senhor, é que o nome, a forma, a qualidade e os passatempos transcendentais do Senhor lhe são revelados.”

Bhagavad-gītā como Ele É, é a ciência da consciência de Krishna. Ninguém pode tornar-se consciente de Krishna através da simples erudição mundana. Deve-se ser bastante afortunado para associar-se com aquele que está em consciência pura. Quem é consciente de Krishna tem pela graça de Krishna conhecimento realizado, porque ele está satisfeito com o serviço devocional puro. Através do conhecimento realizado, tornamo-nos perfeitos. Através do conhecimento transcendental, a pessoa pode permanecer firme em suas convicções, porém, pelo mero conhecimento acadêmico, ela pode facilmente deixar-se iludir e confundir por evidentes contradições. A alma realizada tem verdadeiro autocontrole, porque é rendida a Krishna. Ela é transcendental porque nada tem a ver com a erudição mundana. Para ela, a erudição mundana e a especulação mental, que, para outros, podem estar em nível de igualdade com o ouro, não valem mais do que seixos ou pedras.

Considera-se ainda mais avançado quem vê os bem-querentes honestos, os benfeitores afectuosos, os neutros, os mediadores, os invejosos, os amigos e os inimigos, os piedosos e os pecadores — todos com uma mente equânime.


publicado por Lalanesha Dasa às 23:53

Abril 16 2013

A Suprema Personalidade de Deus, que é maior do que tudo, é alcançado pela devoção imaculada. Embora presente em Sua morada, Ele é onipenetrante, e tudo está situado dentro dEle.

Aqui se afirma claramente que o destino supremo, do qual não se retorna, é a morada de Krishna, a Pessoa Suprema. Toda a variedade por ela manifesta tem a qualidade da bem-aventurança espiritual — lá, nada é material. Esta variedade apresenta-se como a expansão espiritual da própria Divindade Suprema, pois lá tudo o que se manifesta tem natureza completamente espiritual. Quanto a este mundo material, embora o Senhor esteja sempre em Sua morada suprema, Ele a tudo penetra por meio de Sua energia material. Logo, através de Suas energias material e espiritual, Ele está presente em toda a parte — tanto no universo material quanto no espiritual. Isto significa que tudo é sustentado dentro dEle, dentro de Sua energia espiritual ou material. Por meio destas duas energias, o Senhor é onipenetrante. 

Só é possível ingressar na suprema morada de Krishna ou nos inúmeros planetas Espirituais chamados de Vaikunta, por meio do serviço devocional. Nenhum outro processo pode ajudar a pessoa a alcançar esta morada Suprema. Os Vedas também descrevem a morada suprema e a Suprema Personalidade de Deus. Nesta morada existe uma única Suprema Personalidade de Deus, cujo nome é Krishna. Ele é a suprema Deidade misericordiosa e, embora lá situado como um só, Ele Se manifesta em milhões e milhões de expansões plenárias. Os Vedas comparam o Senhor a uma árvore que, embora imóvel, dá muitas variedades de frutos e flores e sempre muda as folhas.  Suas energias são tão expandidas que sistematicamente coordenam com a máxima eficiência tudo na manifestação cósmica, embora o Senhor Supremo esteja longe, muito longe.

Os devotos imaculados do Senhor Supremo, que são almas totalmente rendidas, não se preocupam em procurar qual é o momento ou método adequado para abandonarem o corpo. Eles deixam tudo nas mãos de Krishna e desse modo, felizes, facilmente retornam ao Supremo. Mas aqueles que não são devotos puros e que, muito pelo contrário, para obterem a percepção espiritual recorrem a métodos tais como karma-yoga, jnãna-yoga ehaṭha-yoga, devem abandonar o corpo num momento conveniente e desse modo certificarem-se de que retornarão ou não ao mundo de nascimentos e mortes. 

Se o yogī é perfeito, ele pode escolher o momento e a situação para deixar este mundo material. Mas se não tem tanta habilidade, seu sucesso depende do fato de que ele porventura morra em certa hora favorável. Os momentos apropriados em que a pessoa parte e não volta são explicados pelo Senhor da seguinte maneira.

Aqueles que conhecem o Espirito Supremo, alcançam este Supremo partindo do mundo durante a influência do deus do fogo, na luz, num momento auspicioso do dia, durante a quinzena da lua crescente ou durante os seis meses em que o Sol viaja pelo Norte.

Quando se mencionam o fogo, a luz, o dia e a quinzena da lua, deve-se compreender que presidindo todos eles há várias deidades que coordenam a passagem da alma. Ao chegar a hora da morte, a mente transporta a pessoa ao caminho de uma nova vida. Se ela deixar o corpo no momento indicado acima, quer de maneira fortuita, quer programada, é possível que alcance o o Universo impessoal. Os místicos que são avançados na prática deyoga, podem determinar o tempo e o lugar para abandonar o corpo. Outros não têm esse controle. Mas se acontecer de partirem num momento auspicioso, então, eles não voltarão ao ciclo de nascimentos e mortes; caso contrário, há toda a possibilidade de que tenham que retornar. Todavia, o devoto em consciência de Krishna pura não teme retornar, mesmo que abandone o corpo num momento auspicioso ou inauspicioso, de maneira fortuita ou planejada.

publicado por Lalanesha Dasa às 22:31

Abril 12 2013

Qualquer narração ou afirmação referente a Krishna é assim como um néctar. E este néctar pode ser percebido por experiência prática. As histórias, ficções e contos modernos são diferentes dos passatempos transcendentais do Senhor porque a pessoa se cansa ao ouvir os contos mundanos, mas ninguém nunca se cansa de ouvir sobre Krishna. É só por esta razão que a história de todo o Universo está repleta de referências aos passatempos das encarnações de Deus. Nos vedas, encontram-se histórias de eras passadas que narram os passatempos das várias encarnações do Senhor. Desse modo, a leitura sempre traz novas informações, mesmo que se leia repetidas vezes.

Não é possível compreender a grandeza de Krishna e Suas opulências. Os sentidos da alma individual são limitados e não lhe permitem entender a totalidade dos afazeres de Krishna. Mesmo assim, os devotos tentam compreender Krishna, mas não se baseiam no princípio de que serão capazes de compreender Krishna plenamente em um determinado momento ou em algum estado de vida. Ao contrário, os próprios tópicos referentes a Krishna são tão agradáveis que para os devotos eles parecem néctar. Assim, os devotos os desfrutam. Ao comentarem as opulências de Krishna e Suas diversas energias, os devotos puros sentem um prazer transcendental. Por isso, eles querem ouvi-las e discuti-las. Krishna sabe que as entidades vivas não compreendem a extensão de Suas opulências; por isso, Ele concorda em descrever apenas as manifestações principais de Suas diferentes energias. 

Tanto no mundo material quanto no mundo espiritual, Suas energias se distribuem em todas as variedades da manifestação.

O Supremo Senhor Krishna pode ser conhecido pelas pessoas que cultivam uma relação com Ele através do desempenho do serviço devocional, como o devoto puro  e seus seguidores. Pessoas de mentalidade demoníaca ou ateísta não podem conhecer Krishna. A especulação mental que afasta a pessoa para bem longe do Senhor Supremo é um pecado sério, e alguém que não conhece Krishna não deve tentar comentar o Bhagavad-Gita. OBhagavad-Gita é falado por Krishna, e por ser a ciência de Krishna, devem-se entender as palavras de Krishna como o devoto puro as compreende. Ele não deve ser recebido de pessoas ateístas.

Portanto o devoto puro confirma que pessoas de natureza cética e demoníaca não podem compreender Krishna. Se nem mesmo os semideuses O conhecem, que dizer então dos supostos eruditos deste mundo moderno? Pela graça do Senhor Supremo, o devoto puro compreende que a Verdade Suprema é Krishna e que Ele é o ser perfeito. Todos devem, portanto, seguir o caminho do devoto puro. Ele recebe a autoridade do Bhagavad-Gita. Devemos procurar ficar na mesma posição do devoto puro quando aceita-se tudo o que Kṛṣṇa diz; então, poderemos compreender a essência do Bhagavad-Gita, e só então chegaremos à compreensão de que Krishna é a Suprema Personalidade de Deus.

 A meta última do progresso da vida é Krishna. As pessoas não sabem disto; por isso, associar-se com devotos puros e aceitar um mestre espiritual genuíno é tão importante. Deve-se saber que a meta é Krishna, e quando a meta é especificada, então, atravessa-se o caminho lenta mas progressivamente, e a meta última é atingida.

Quem conhece a meta da vida mas está afeiçoado aos frutos das atividades, está agindo em karma-yoga. Quando sabe que a meta é Krishna mas sente prazer em entregar-se a especulações mentais para tentar compreendê-lO, ele está agindo em jnãna-yoga. E quando conhece a meta e busca Krishna em consciência de Krishna e serviço devocional plenos, está agindo em bhakti-yoga, ou buddhi-yoga, que é a yoga completa. Esta yoga completa é a fase mais elevada da perfeição da vida.

O devoto pode ter um mestre espiritual genuíno e pode estar comprometido com uma organização Espiritual, mas se não for inteligente o bastante para progredir, então Krishna lhe dá instruções internas para que não sinta dificuldade alguma em acabar retornando a Ele. O requisito é que o devoto sempre se ocupe em consciência de Krishna e, com amor e devoção, preste todas as espécies de serviços. Ele deve executar algum tipo de trabalho para Krishna, e este trabalho deve ser feito com amor. Se ele não é bastante inteligente para progredir no caminho da auto-realização, mas é sincero e devotado às actividades do serviço devocional, o Senhor lhe dá uma oportunidade de progredir e enfim alcançá-lO.

Os devotos puros, cujas características são mencionadas como sublimes, ocupam-se plenamente no serviço transcendental amoroso do Senhor. Suas mentes não podem afastar-se dos pés de lótus de Krishna. Eles só conversam sobre assuntos transcendentais. Os sintomas dos devotos puros são especificamente descritos como sendo sublimes. Os devotos do Senhor Supremo estão vinte e quatro horas por dia ocupados em glorificar as qualidades e passatempos do Senhor Supremo. De corpo e alma, eles vivem imersos em Krishna e em Seus passatempos transcendentais, e têm prazer em reunir-se com outros devotos para falar sobre tais passatempos.

Na fase preliminar do serviço devocional, eles saboreiam o prazer transcendental proveniente do próprio serviço, e na fase madura eles se situam no verdadeiro amor por Deus. Situados nesta posição transcendental, eles podem saborear a mais elevada perfeição manifestada pelo Senhor em Sua morada. O Senhor aparece na forma de um devoto puro, compara o serviço devocional transcendental ao ato de semear uma semente no coração da entidade viva. Há inúmeras entidades vivas vagando por todos os diferentes planetas do Universo, e dentre elas, poucas têm a sorte de encontrar um devoto puro e obter a oportunidade de compreender o serviço devocional. Este serviço devocional é tal qual uma semente; semeada no coração de uma entidade viva, que continua ouvindo e cantando Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rãma, Hare Rãma, Rãma Rãma, Hare Hare; esta semente germina, assim como a semente de uma árvore brota quando é regada com regularidade. A planta espiritual do serviço devocional aos poucos cresce e cresce até penetrar a cobertura do Universo material e entrar na refulgência do céu espiritual.  No céu espiritual, esta planta também continua a crescer até alcançar o planeta mais elevado, o planeta supremo de Krishna. Por fim, a planta se refugia sob os pés de lótus de Krishna, onde repousa. Pouco a pouco, assim como uma planta produz frutos e flores, esta planta do serviço devocional também produz frutos, e a sua rega através do processo de cantar e ouvir continua.

Esta planta do serviço devocional é plenamente descrita, que quando a planta já desenvolvida por completo refugia-se sob os pés de lótus do Senhor Supremo, o devoto se absorve em pleno amor a Deus; então ele não consegue viver um momento sequer sem estar em contacto com o Senhor Supremo, assim como um peixe não pode viver fora dágua. Nesse estado, o devoto alcança de fato as qualidades transcendentais obtidas por aqueles que entram em contacto com o Senhor Supremo.

Krishna mesmo diz:

Os pensamentos de Meus devotos puros residem em Mim, suas vidas são plenamente devotadas a Meu serviço, e eles obtêm grande satisfação e bem-aventurança sempre se iluminando uns aos outros e conversando sobre Mim. Eu sou a fonte de todos os mundos materiais e espirituais. Tudo emana de Mim. Os sábios que conhecem isto perfeitamente ocupam-se no Meu serviço devocional e adoram-Me de todo o coração.

O Senhor Krishna é a fonte de todas as gerações, e Ele é chamado a causa mais eficiente de tudo. Ele diz: “Porque tudo nasceu de Mim, Eu sou a fonte da qual tudo se origina. Tudo está sob Mim, ninguém está acima de Mim”. Krishna é o único controlador supremo. Alguém que, tomando como referência a literatura védica, aprendeu com um mestre espiritual genuíno a desenvolver tal compreensão acerca de Krishna, aplica toda a sua energia na consciência de Krishna, e torna-se um homem verdadeiramente erudito. Em comparação a ele, todos os outros, que não têm o devido conhecimento acerca de Krishna, não passam de tolos. Só um tolo consideraria Krishna um homem comum. Quem é consciente de Krishna não deve deixar que os tolos o confundam; ele deve evitar todos os comentários e interpretações do Bhagavad-Gita feitos desautorizada mente e deve prosseguir na consciência de Krishna com determinação e firmeza. 

O auge da perfeição espiritual é conhecer a Suprema Personalidade de Deus. Quem não estiver firmemente convencido das diferentes opulências do Senhor Supremo não poderá ocupar-se no serviço devocional. Em geral, as pessoas sabem que Deus é grande, mas não conhecem os detalhes da Sua grandeza. Aqui estão os pormenores. Se alguém sabe de fato como Deus é grande, então ele naturalmente torna-se uma alma rendida e ocupa-se no serviço devocional do Senhor. Quando a pessoa realmente conhece as opulências do Supremo, tudo o que lhe resta é render-se a Ele. Este conhecimento real pode ser conhecido através das descrições contidas no Bhagavad-Gita e em textos semelhantes. 

publicado por Lalanesha Dasa às 23:04

Abril 09 2013

O corpo material da entidade viva indestrutível, imensurável e eterna decerto chegará ao fim; portanto, deve-se lutar por uma boa causa Espiritual, e nunca esmorecesse.

A alma espiritual é tão diminuta que não pode nem mesmo ser vista pelo inimigo, e muito menos pode ela ser morta. Ela é tão pequena que ninguém tem uma idéia de como medir sua dimensão. Assim, de ambos os pontos de vista não há motivo para lamentação, porque a entidade viva como ela é não pode ser morta, nem pode o corpo material perdurar após certo tempo ou ser permanentemente protegido. A partícula diminuta do espírito total adquire este corpo material conforme suas actividades, e portanto deve-se observar a prática dos princípios religiosos. A entidade viva é qualificada como luz porque é parte integrante da luz suprema. Assim como a luz do sol mantém o Universo inteiro, a luz da alma mantém este corpo material. Logo que a alma espiritual sai deste corpo material, o corpo começa a decompor-se; portanto, é a alma espiritual que mantém este corpo. Em si, o corpo não tem importância. Aconselha-se a lutar e a não sacrificar a causa da religião em favor de considerações corpóreas materiais.

Aquele que pensa que a entidade viva é o matador e aquele que pensa que ela é morta não estão em conhecimento, pois o eu não mata nem é morto.

Quando um ser encarnado é golpeado por armas fatais, convém saber que este ser dentro do corpo não é morto. A alma espiritual é tão pequena que é impossível matá-la com alguma arma material, como ficará evidente nos versos posteriores. E devido à sua constituição espiritual, a entidade viva não pode ser morta. O que é morto, ou supõe-se que seja morto, é apenas o corpo. Entretanto, isto não significa que se deve matar o corpo.  O preceito védico é: jamais deve-se cometer violência contra alguém. Tampouco o fato de alguém compreender que a entidade viva não é morta significa que ele possa sair por aí a matar qualquer ser vivo. Matar o corpo de alguém sem autorização é abominável e é punível pela lei do Estado e pela lei do Senhor. No entanto, por uma causa Suprema as vezes um guerreiro Santo é obrigado a lutar pelo princípio da religião, e não por capricho. 

Para a alma, em tempo algum existe nascimento ou morte. Ela não passou a existir, não passa a existir e nem passará a existir. Ela é não nascida, eterna, sempre-existente e primordial. Ela não morre quando o corpo morre.

Qualitativamente, a pequena parte atômica fragmentária do Espírito Supremo é una com o Supremo. Ao contrário do que se passa com o corpo, ela não sofre mudanças. Às vezes, a alma é chamada estável. O corpo está sujeito a seis tipos de transformações. Ele nasce do ventre do corpo da mãe, permanece por algum tempo, cresce, produz alguns efeitos, definha gradualmente, e acaba caindo no esquecimento. A alma, entretanto, não passa por essas mudanças. A alma não nasce, porém, como aceita um corpo material, o corpo nasce. A alma não nasce nesta ocasião, e a alma não morre. Tudo o que nasce também morre. E porque não tem nascimento, a alma, portanto, não tem passado, presente ou futuro. Ela é eterna, sempre-existente e primordial — isto é, não há na história indício de quando foi que ela veio a existir. Com base no corpo, buscamos a história do nascimento, etc., da alma. Ao contrário do corpo, a alma jamais fica velha. É por isso que os assim chamados anciãos sentem que existem com o mesmo alento de sua infância ou juventude. As mudanças do corpo não afetam a alma. A alma não se deteriora como uma árvore, ou alguma entidade material. Tampouco tem a alma algum subproduto. Os subprodutos do corpo, a saber, os filhos, são também almas individuais diferentes, que, devido ao corpo, aparecem como filhos de um homem em particular. O corpo se desenvolve devido à presença da alma, mas a alma não tem ramificações nem sofre mudanças. Portanto, a alma está livre das seis mudanças corpóreas.

A alma é cheia de conhecimento, ou sempre cheia de consciência. Logo, consciência é sintoma da alma. Mesmo que alguém não encontre a alma dentro do coração, onde ela está situada, ainda assim, ele pode se dar conta da presença da alma pela simples presença da consciência. Às vezes, devido às nuvens ou por alguma outra razão, não vemos o Sol no céu, mas sempre há alguma claridade, e portanto temos a convicção de que é dia. Logo que há um feixe ténue de luz no céu de manhã cedo, podemos compreender que o Sol está no céu. Similarmente, encontramos consciência em todos os corpos — seja homem, ou animal — e assim podemos entender a presença da alma. Esta consciência da alma é, porém, diferente da consciência do Supremo porque a consciência suprema conhece tudo— passado, presente e futuro. A alma individual tende a esquecer-se da sua situação espiritual. Ao esquecer-se de sua verdadeira natureza, ela obtém instrução e iluminação nas lições superiores de Krishna. Mas Krishna não é como a alma que vive no esquecimento. Se Ele fosse assim, os ensinamentos que Krishna transmitiu no Bhagavad-Gita seriam inúteis.

Há duas espécies de almas — a saber, a alma sob a forma de partícula diminuta e a Superalma.

“Tanto a Superalma quanto a alma atômica, situadas na mesma árvore do corpo, estão dentro do mesmo coração da entidade viva, e somente alguém que esteja livre de todos os desejos e lamentações materiais pode, pela graça do Supremo, compreender as glórias da alma.” Krishna também é a fonte da Superalma, e nós as entidades vivas somos a alma atômica, que esquecemos nossa verdadeira natureza; portanto, precisamos ser iluminados por Krishna, ou por Seu representante autêntico (o mestre espiritual).

Como pode uma pessoa que sabe que a alma é indestrutível, eterna, não nascida e imutável matar alguém ou fazer com que alguém mate?

Tudo tem sua devida utilidade, e um homem que está situado em conhecimento completo sabe como e onde utilizar algo devidamente. Do mesmo modo, a violência também tem sua utilidade, e a maneira correcta de usá-la cabe à pessoa em conhecimento. Embora o juiz dê a pena capital a uma pessoa condenada por homicídio, ele não pode ser censurado, porque é de acordo com os códigos de justiça que ele decreta violência contra esta pessoa. No segmento da literatura Védica o livro de leis da humanidade, sustenta-se que um assassino deve ser condenado à morte para que em sua próxima vida não precise pagar com sofrimento o grande pecado que cometeu. Portanto, o fato de o rei condenar um assassino à forca é na verdade benéfico.  De modo semelhante, quando Krishna dá a ordem para lutar, deve-se concluir que a violência é em prol da justiça Suprema, e por isso alguém que esteja recebendo instrução, directa de Krishna, deve seguir, sabendo muito bem que tal violência, cometida enquanto se luta por Krishna, não é absolutamente violência porque, de qualquer maneira, o homem, ou melhor, a alma, não pode ser morta; assim, para a administração da justiça, permite-se a assim chamada violência. Uma operação cirúrgica não se destina a matar o paciente, mas a curá-lo. Portanto, a pessoa que irá empreender sob a instrução de Krishna uma luta em pleno conhecimento, não há possibilidade de reacção pecaminosa.

Assim como alguém veste roupas novas, abandonando as antigas, a alma aceita novos corpos materiais, abandonando os velhos e inúteis.

A troca de corpo pela alma individual atômica é um fato aceito. Mesmo os cientistas modernos que não acreditam na existência da alma, mas que também não podem explicar de onde vem a energia que brota do coração, devem aceitar as contínuas mudanças a que o corpo se submete, passando da infância à adolescência e da adolescência à fase adulta e então da fase adulta à velhice. Da velhice, a mudança se transfere a outro corpo. 

A transferência da alma individual atômica para outro corpo torna-se possível pela graça da Superalma. A Superalma satisfaz o desejo da alma atômica como um amigo satisfaz o desejo de outro. A Sagrada literatura Védica compara a alma e a Superalma a dois pássaros amigos pousados na mesma árvore. Um dos pássaros (a alma individual atômica) está comendo o fruto da árvore, e o outro pássaro (Krishna) está apenas observando Seu amigo. Entre estes dois pássaros — mesmo sendo eles iguais em qualidade — um está cativado pelos frutos da árvore material, enquanto o outro está apenas presenciando as actividades de Seu amigo. Embora Krishna seja o amigo, um é o Senhor e o outro, o servo.  O fato de a alma atômica esquecer-se desta relação de amizade, é a causa da sua mudança de posição de uma árvore para outra, ou de um corpo para outro. A alma está lutando mui arduamente na árvore do corpo material, mas logo que concorda em aceitar o outro pássaro como o mestre espiritual Supremo, o pássaro subordinado imediatamente livra-se de todas as lamentações. 

“Embora os dois pássaros estejam na mesma árvore, o pássaro que come, sendo o desfrutador dos frutos da árvore, está mergulhado em completa ansiedade e melancolia. Mas se acontecer de ele fixar-se no rosto de seu amigo, o Senhor, e conhecer Suas glórias — imediatamente o pássaro aflito ficará livre de todas as ansiedades.” E assim devemos virar nossa face na direcção de nosso amigo eterno, Krishna, e assim passar a compreender o Bhagavad-Gita. E ao ouvir de Krishna, podemos compreender as Supremas glórias do Senhor e livrar-nos da lamentação.

A alma nunca pode ser cortada em pedaços por arma alguma, nem pode ser queimada pelo fogo, ou humedecida pela água ou definhada pelo vento.

Todos os tipos de armas — espadas, armas incandecentes, armas pluviais, armas na forma de tornados, etc. — são incapazes de matar a alma espiritual. 

Esta alma individual é inquebrável e indissolúvel, e não pode ser queimada nem seca. Ela é permanente, está presente em toda a parte, é imutável, imóvel e eternamente a mesma.

Todas essas qualificações da alma atômica são prova categórica de que a alma individual é eternamente uma partícula atômica do espírito total, e permanece eternamente o mesmo átomo imutável. É muito difícil conciliar a teoria da doutrina segundo a qual há unidade das forças da natureza e a realidade se reduz a um princípio único. com este conceito, porque nunca se espera que a alma individual se torne una homogeneamente. Após libertar-se da contaminação material, a alma atômica talvez prefira continuar como centelha espiritual nos raios refulgentes da Suprema Personalidade de Deus, mas as almas inteligentes ingressam nos planetas espirituais para associar-se com a Personalidade de Deus. 

A palavra (“onipenetrante”) é significativa, pois não há dúvida de que as entidades vivas estão em toda a criação de Deus. Elas vivem na terra, na água, no ar, dentro da terra e até dentro do fogo. A crença de que o fogo as destrói não é aceitável, pois aqui se afirma claramente que a alma não pode ser queimada pelo fogo. Portanto, não há dúvida de que no planeta Sol também existam entidades vivas com corpos adequados para viver lá. Se o globo solar é desabitado, então — “o que vive em toda a parte”— torna-se sem sentido.

Se aceitamos a conclusão védica que consta no Bhagavad-Gita segundo a qual estes corpos materiais acabam perecendo no transcorrer do tempo, sendo que a alma é eterna, então devemos sempre lembrar-nos de que o corpo é como uma roupa; portanto, por que lamentar a mudança de uma roupa? O corpo material não tem uma existência verdadeiramente relacionada com a alma eterna. É algo parecido com um sonho. Num sonho, podemos pensar que voamos no céu, ou sentamo-nos numa quadriga como um rei, mas quando acordamos, podemos ver que não estamos nem no céu nem sentados na quadriga. A sabedoria védica encoraja a auto-realização, tomando-se como base a não-existência do corpo material. Logo, em qualquer dos casos, quer se acredite na existência da alma, ou não se acredite na existência da alma, não há motivo de lamentação pela perda do corpo.



publicado por Lalanesha Dasa às 20:53

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